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domingo, 19 de outubro de 2014

Ai os homens….

Para aqueles de vós que pertencem à minha faixa etária (oh buda, eu já pertenço a uma faixa etária!), com certeza que se recordam deste programa “ai os homens” da cadeia televisiva SIC; caso contrário vejam este resuminho http://videos.sapo.pt/FMdTrO9ZkmvE0arNDVWy. Tenho que admitir que a linha entre entretenimento e simplesmente ridículo é muito ténue, séculos e séculos de luta para que a mulher seja encarada ao mesmo nível do homem e de repente vemos com bons olhos objetivar homens. Vá lá meninas, há coisas que são melhores partilhadas entre amigas no chat do facebook; ai mas na altura não havia facebook!... é para isso que servem os cafés. Eu brinco claro, mas já estou a fugir ao tópico.

Ora a minha ideia a escrever este post não era falar do programa, mas aproveitar mais uma vez para me queixar da minha desastrosa experiência com homens; em geral gente, não estou a especificar ligações românticas! Sabem qual é o meu problema? Expectativas. Sim, eu tenho uma grande tendência para esperar mundos e fundos do primeiro individuo que me faz um elogio ou uma gracinha, ou daquele amigo que me estima e me promete sempre ser o meu ombro. Sim eu sou uma idiota, mas eu culpo a pessoa que contribuiu para metade do meu código genético e decidiu “despedir-se” do trabalho antes da verdadeira jornada ter começado. Sim eu sei, porque é que eu não consigo aceitar isso e seguir em frente? Ou agradecer todos os dias da minha vida por ter ganho o amor incondicional do homem da minha vida, o meu avô. Não sei porque, sou doida sei lá, “tratamento vai”. Só sei que tudo isso me tornou na pessoa confusa, insegura e inocente que sou. Mas falava de expectativas, ou seja, eu acho sempre que este sim, este é aquele que vai aguentar comigo os bons e maus momentos, a minha bipolaridade e acima de tudo apreciar o todo sem nunca me falhar. Ahahaha certo? Menina acorda para a vida. Sou uma sonhadora, e tenho ilusões constantes. Vivo no meu mundinho. Mas a verdade é que uso esta “máscara” de confiança e despreocupação, mas por dentro cada uma destas desilusões é uma facadinha no coração. A minha idade avançada tornou-me mais forte, e ajudou-me a compreender e a aceitar que dificilmente vou encontrar alguém que seja tudo aquilo que eu sempre quis; mas isso não quer dizer que é impossível, só quer dizer que tenho que ser mais seletiva.

Moral desta história: aprendi a ser mais paciente, não me iludir com uma carinha bonita ou com as palavras que fazem os cabelinhos do pescoço se arrepiarem de satisfação. Vou fazer uma listinha de coisas que procuro e não sair dos parâmetros que escolhi, porque preciso de manter um certo grau de racionalidade nestes assuntos do coração; isso faz-me parecer um bocadinho fria e convencida (a miúda acha mesmo que tem uma fila de homens à porta, e que vai escolher o melhor e atirar os outros á piscina, não não que isto não é o “ai os homens.”), mas é o que preciso. Afinal eu mereço o melhor, assim como toda a mulher! Não vamos contentar-nos com o confortável, vamos arriscar na felicidade e companheirismo que todas precisamos. Acima de tudo vou focar-me em mim, em me melhorar. Eu quero sentir que sei quem sou, que não preciso de ninguém para ser feliz e que eu tenho o meu lugar neste mundo, um lugar que eu conquistei sozinha. E deixar que as coisas que estão reservadas para mim me encontrem, que cheguem quando eu estiver preparada, que façam sentido e venham para ficar.



Acho que aquilo que eu quero mesmo partilhar convosco é um pouco da paz e serenidade que encontrei ao compreender que mesmo errando no passado não posso deixar que isso me marque e me faça sentir que não mereço ser feliz, ou que vou errar sempre. Se alguma vez sentiram algo parecido, bem ….não desesperem, as respostas vêm com o tempo. Esperem. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Carta Aberta a uma Hipotética Amiga da Onça (smooth joana)

Querida hipotética,

Suponho que como segue a minha vida tão atentamente, já deve ter percebido que tenho dificuldade em dar 5 tostões por opiniões baseadas em inveja e rancor inexplicável, mas estou com uma insônia desgraçada e achei que seria divertido para quem leia esta carta e se sinta em baixo por descobrir as onças das suas vidas, meus queridos todos nós sofremos com essa praga, o melhor é relativizar e se possível decorá-la com humor.

Eu tenho consciência dos meus defeitos, sim eu sei que desconhece a palavra “consciência” – é uma vozinha na cabeça que nos massacra quando agimos mal e reconhece/insiste que somos capazes de mudar, mas isto não lhe faz falta querida é uma cruz das pessoas que têm compaixão e princípios. Tenho os meus dias, por vezes os defeitos tomam conta de mim e a consciência não me deixa dormir mas a minha educação faz de mim uma pessoa que se redime dos seus erros e volta a deitar a cabeça na almofada dormindo como um bebé.

arthur.bio.br

Chama-me princesa e mimada? Ora eu agradeço querida, todos os dias dou graças por ter a família que tenho, por ter recebido amor, mimo, o conforto e as oportunidades que me proporcionaram, não seria quem sou hoje se não fosse pelo carinho que recebi toda a minha vida. Deveria sentir-me mal porque sou amada pelos meus? Todos os dias me dói o coração ao ler o que se passa um pouco por todo o mundo, o quanto as pessoas sofrem porque ninguém se preocupa com elas ou lhes dá amor, comida ou liberdade. Sim sou uma princesa que teve como mentor um rei bondoso, carinhoso, humilde e trabalhador, um homem que dedicou a sua vida a trabalhar para proporcionar uma vida melhor á família, e quando se podia ter reformado dessas responsabilidades escolheu cuidar de mim e do meu irmão, sem pensar duas vezes e com o coração aberto. Serei eternamente grata por ter sido educada por um homem com princípios, lutador, inteligente, bem formado, correcto, que sempre acreditou na bondade dos outros por mais que a vida lhe mostrasse o contrário ele nunca desistiu de tentar trazer um bocadinho da sua luz para a vida de todas as pessoas que conhecia. Tantas qualidades e no entanto palavras nunca poderão expressar o amor que eu tenho por este herói e nunca me vou sentir culpada por ter alguém na minha vida que sempre acreditou em mim, sempre me ajudou a perceber que eu posso ser o que eu quiser mas que antes de tudo devo procurar ser feliz. E agora com toda a verdade lhe digo que lamento que não tenha tido o mesmo, tenho a certeza que seria uma pessoa muito melhor e não teria tempo para analisar os meus passos. No entanto isso não é desculpa para o veneno que corre nas suas veias minha senhora, ser bom ou mau é uma escolha, você não soube escolher e isso é triste.


Chama-me vaidosa e com a mania que sou melhor que todo o mundo. Mais uma vez obrigado, não sei porque me sentiria mal por sair de casa com o pescoço levantado e a cara lavada! Há coisas que o dinheiro não pode comprar, uma delas é o bom gosto. Sou um pouco materialista? Sem duvida que gosto das minhas coisas, mas guardo-as e estimo-as com muito carinho pois trabalhei para as pagar e sei quanto custa a vida. Eu sei que para si isto é uma coisa estranha, mas nem toda a gente esta disposta a vender “tudo” para ter dinheiro de sobra. Mais uma coisa que eu aprendi com o meu avô, quando trabalhamos e somos independentes financeiramente damos muito mais valor às coisas e principalmente às dificuldades das outras pessoas, o que consequentemente gera um sentimento de compaixão e altruísmo e não podemos descansar se não contribuimos um pouco. Engraçado não é? Eu não acho que sou melhor que ninguém, minha querida, nunca fui perfeita e já cometi muitos erros mas redimi-me e “renovei-me”; mas sinto que sou muito melhor que a senhora, isso não posso negar, mas também não é difícil sentir-nos superior quando comparados com seres humanos mesquinhos e com ar na cabeça. Pense nisso.

gossipgirlnotipotfashiteen.blogspot.com 

E sabe que mais? Não me conhece de todo, mesmo depois de tantos anos a vigiar-me, porque é certo que sou feliz com a vida que tenho mas trocava tudo num milisegundo para ter o meu avô comigo por mais uns anos, um dia só, uma hora para lhe dizer que o amo só mais uma vez. Há mais uma coisa que lhe posso ensinar o dinheiro não compra amor, e deve ser triste viver rodeado de amigos que a suportam por quererem algo de si. Lamento mesmo. Eu por outro lado era feliz a morar num casebre bem no meio da montanha, primeiro porque sempre sonhei em viver no sossego e longe de línguas afiadas; segundo o ar da montanha é bom para a saúde e visto que sou vegetariana seria econômico alimentar-me, a natureza é o melhor supermercado; terceiro e último, garanto-lhe que só precisava de um saco de batatas e uma linha de pesca para fazer um vestido que faria inveja a uma mulher insossa como você. As verdades são para se dizer não é? Eu uso qualquer trapo com confiança, seja o que for, e tenho muito brio na minha aparência, é o meu cartão-de-visita e mostra ao mundo que sou acessível e humana. Se quiser eu posso ajuda-la a ganhar um pouco de confiança nesse campo. E se gosta tanto do meu facebook dê-me a sua morada, eu mando-lhe uma foto autografada.

Atentamente,
Joana Afonseca


*Lamento que isto seja tão longo mas diverti-me imenso e levantou o meu astral hoje. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

2013



2013 foi um ano que tanto deixou por dizer que quase me dariam por MIA ou desaparecida em combate (em bom português). Agora que “acabou” já me sinto o pouco mais á vontade e com vontade de o explorar e escrutinar minuciosamente - para matar de vez essa curiosidade e os diz-que-disse-que-nada - e alimentar meu narcisismo compulsivo até á obesidade.


Quem me conhece e portanto sabe desta minha aversão a qualquer e todo o tipo de festividades, compreende a falta de posts sobre o assunto. Resumo? Todos os dias podem ser “Natal” e o facto de que de 365 em 365 dia (366 em anos bissextos) deitamos o calendário ao lixo e compramos um que começa, surpresa surpresa, por Janeiro – não é, para mim, motivo de celebração. É um facto, se vamos a celebrar todos os “factos” da vida, meu amigo, não fazíamos mais senão festejar – por mais que eu goste de festa meus queridos o que é demais enjoa. 

Mas de qualquer maneira posso dizer-vos que estes últimos 12 meses foram de factos extremamente significativos na minha curta existência, e será por isso para sempre lembrado como o pior e o maior ano da minha vidinha.  Estará lá nas estrelas junto do ano em que nasci, o longínquo e ainda brilhante ano de 1990 (podem pesquisar, ou esperem que eu vos conte); o ano em que o dador de esperma deixou de perfilar na minha infância ou o ano do “há males que vêm por bem”; o grandioso ano em que percebi finalmente porque é que existem meninos e meninas (se é que me entendem), e que “há mais marés que marinheiros”, “há mais peixe no mar” e “há muitos burros do mesmo pelo”; e infelizmente o ano em que percebi que a vida é demasiado curta para amar quem nos ama e para chorar por quem não nos merece. Este ano de 2013 poderá ser descrito como o ano em que fiquei sem chão, em que perdi a vontade de pensar, de agir, de respirar e de viver; mas principalmente o ano em que provei a mim mesma, aos que me amam e aos que me odeiam, que ainda há mundos dentro de mim por desvendar.  Num deles eu sou Xena a princesa guerreira, que se reergueu do pó do seu ser vazio e derrubou com punho de aço os seres tóxicos que poluíam a minha alma e mente, consequentemente fazendo-me sentir insignificante – e  regozijei sob a poça dos seus despojos ensanguentados, vitoriosa e mais forte do que nunca. Sim, um pouco mais negra e completamente “cacofônica” (de disfemismo), mas indiscutivelmente mais energética, criativa (quase explodindo no meu mundo de imaginação) e definitivamente feliz. Foi o ano da mudança, tanto interior como exterior, foi uma continuação da jornada começada em 2012. Uma jornada de introspecção, auto-conhecimento e iluminação, foi uma vitória. 




Mudei a cor de cabelo, emagreci 10kg, dediquei-me a mim e a meditação, yoga e thai-chi. Ri, chorei, amei e perdi. Realizei imensos projectos relacionados com moda e beleza e por isso decidi adicionar mais um passatempo á lista dos favoritos. Fiz muita coisa, o que não fiz foi partilhar aqui convosco, espero que este ano isso não se repita – mesmo que só uma pessoa se importe com o que me vai na alma já vale a pena. Quero que este seja um espaço sagrado, onde posso partilhar os meus pensamentos e ideias sobre a vida e tudo mais que me interesse. 

Agora que expeli estes demónios é de bom tom terminar numa nota mais alegre, ou seja os momentos extraordinários que vivi este ano. A união mais forte na minha pequena família deu-me a certeza que tenho os pilares da minha vida firmes e presentes para tudo, e de repente o medo de falhar não é tão grande porque sei que a minha família acredita em mim e me ama não importa o que eu faça ou seja. Depois da minha recusa em celebrar seja o que for, o mau humor costumeiro, e a aversão ao cristianismo em favor do budismo, poderia levar qualquer família á loucura – mas não a minha, e somos felizes assim. Os laços de amizade que se tornaram tão mais fortes e me seguraram nas tempestades e adversidades que enfrentei em 2013, fizeram-me acreditar que existem pessoas que valem a pena, porque nos fazem felizes e somos um pouco melhores porque os fazemos felizes também, vocês sabem que vos amo. E em continuação com o tema das amizades, a família académica também aumentou este ano transacto, com a adição das afilhadas que ficarão para sempre no meu coração, pelo carinho e a amizade que ofereceram e a confiança em mim, como a pessoa que as guiou e guiará na vida académica. E espero também, um laço que dure para toda a vida. Amo-vos minhas princesas. 




Sejam felizes e que 2014 seja o ano das vossas vida.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O drama, a tragédia, o horror

Todo o mundo que viveu os anos 90, (yup estou a fazer parte dos “cotas”), conhece esta famosa “pérola”, quiçá “diamante”, da televisão portuguesa. E o mundo é realmente pequeno meu povo. É tragédia, é desastre, é o fim do mundo, mas depois fica tudo bem. Pois, eu sou dada ás declarações enigmáticas e principalmente com duplo sentido – fica no ar.


A vida é um pouco assim, uma novela mexicana, drama a toda a hora e desastre que não tem fim. Eu sinto que me encontro constantemente no olho do furacão, e que os olhos verdes desse monstro, que me assombra, seguem-me como uma sombra. É ai que me escondo, refugio-me do mundo em mim mesma, e ninguém sabe de mim ao certo! Bem ultimamente tem sido assim, perdida no meio duma tempestade, sem guarda-chuva e completamente desorientada. Respirei fundo, abstrai-me por momento e reencontrei o meu equilíbrio espiritual.
Uma coisa é certa, a vida não tinha graça nenhuma se não houvesse um bocado de drama, uma pitadita de tragédia e um horror semi-cómico para aliviar as tensões atmosféricas. O importante é agarrar um guarda-chuva antes de sair de casa (com força), e esperar que a tempestade passe, porque chuva é só água, molha mas seca. Dor é só um sentimento, com o tempo passa e algo de bom nasce no seu lugar.

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Seria mais feliz se conseguisse trazer paz à vida das pessoas que me rodeiam (mesmo as que não o merecem)? Era, porque trazer felicidade faz-me feliz. Mas cada um lida com a sua tragédia á sua maneira, e depois de todo o horror que prossegue um drama shakespeariano só uma coisa é certa: pior não fica. Por isso força e agarrem-se onde puderem.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Fazes-me falta

Fazes-me falta. Fazes-me tanta falta que todos os dias finjo que estás aqui. Sorrio ao pensar que, tão naturalmente que parece verdade, estás no teu quarto a fazer as flexões matinais e a seguir vais tomar o pequeno-almoço para sair e começar mais um dia de trabalho, que amas fazer. Quando começo a pensar nas saudades que me trazem as lágrimas quentes aos olhos. Afasto-as com a mentira. Estás lá fora a aparar os arbustos, a regar a relva ou a enxertar mais um limoeiro. Quando chega a noite, e me aconchego nos lençóis frios, a dor de não te ter assombra meu pobre coração. Finjo que ainda não chegaste, mas que estás perto. Finjo que ouço a chave na porta e os passos leves no outro lado da porta do meu quarto para te ires deitar. E sorrio porque esta mentira aquece-me um pouco, estás do outro lado da porta, a poucos passos e se eu quiser posso abrir e abraçar-te. E sorrio falsamente, sorrio porque não quero pensar que já não estas ali, do outro lado. Só posso sorrir porque já não aguento o peso das lágrimas.

Fazes-me falta. Fazes-me tanta falta que todos os dias permito-me, por minutos, aceitar que já não estás aqui. Choro em silêncio. Todos os dias preciso de ti e não te tenho. E nunca mais te vou ter. E a dor é insuportável. Porque todos os dias te quero, todos os dias te amo, todos os dias preciso de ti. Mais ninguém neste mundo me conforta como tu, mais ninguém neste mundo me ama como tu, mais ninguém neste mundo me conhece e me aceita como tu. Todos os dias me sinto um pouco mais só, um pouco mais perdida, um pouco mais triste e não sei como fingir que isso não é verdade. Foste e levaste uma parte de mim, e não posso fingir que não me faz sentir uma falta desmesurada. Preciso de te abraçar, de te ouvir, de me sentir a menina mais sortuda do mundo por te ter para mim. Sou mimada porque me mimaste demais. Mimaste-me com amor e conforto. Mimaste-me com palavras que me faziam sentir especial e capaz de fazer tudo, capaz de te fazer sentir orgulhoso na mulher que criaste. E todos os dias me sinto mais pequena um bocadinho, porque não pudeste ver-me cumprir “o sonho”, ver-te na plateia com um olhar ternurento enquanto recebia o diploma da universidade, que tanto lutaste para que eu o merecesse. Pergunto-me porque é que já não estás comigo, porque é que te roubaram de mim, que mal fiz eu para agora estar um pouco mais abandonada neste grande mundo que sem ti faz menos sentido.


Hoje deixo-me chorar sangue sobre as minhas palavras e sentimentos profundos. Só hoje vou permitir-me admitir que me fazes falta. Fazes-me tanta falta. E fecho os olhos e sinto a tua presença. Sei que não estás aqui fisicamente mas a tua aura nunca me abandona, e com ela eu caminho passo a passo e tento fazer-te orgulhoso da pessoa que me fizeste. Fazes-me falta mas hoje estás aqui comigo, com uma mão sobre meu ombro dizendo-me também me fazes falta mas estou aqui.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Vaidades & Hipocrisias

Não é fantástico como assim que encontramos balanço espiritual todos os nossos sentidos ficam muito mais apurados? Tenho-me encontrado a ouvir mais e a falar menos, gosto do papel de observador, e as vantagens são imensas para o meu desenvolvimento cultural… Sim, também inclui o uso de um vocabulário mais rico e variado, e com um cheirinho de presunção que nunca matou ninguém. Para além disso, encontro inspiração no dia-a-dia e dou comigo a pensar e a analisar os ramos intrincados dos comportamentos e conversações triviais. É a volta ao mundo terreno e ao mesmo tempo ao recanto do meu consciente - onde me enrolo num manto de introspeção que me aquece a alma – são as pequenas coisas que me fazem feliz.

E agora que já desenvolvi demasiado sobre coisas que só interessam à minha pessoa vamos passar ao que me interessa. A querida Judite de Sousa estava hoje num programa de tarde qualquer, a falar sobre um senhor (que infelizmente não reconheci e por isso não o armazenei), e fez um curioso comentário: só as grandes mentes possuem um intelectual musculado e por isso exigem e apreciam uma discussão bem fundamentada (não são as palavras exatas mas a ideia era mais ou menos esta). Isto fez-me pensar que afinal a Judite é um bocado presunçosa (cheia de si mesma ou vaidosa) afinal de contas não é muito educado gabarmo-nos das nossas qualidades intelectuais ou outras. Já não tinha uma grande impressão da senhora e não melhorou definitivamente. Garanto-vos que conheço a minha quota de idiotas convencidos que por usarem meia dúzia de palavras cultas e decorarem dois factos interessantes sentem-se os senhores de toda a verdade! Especialmente pseudoartistas (ego explosion). E depois disse a mim mesma: que hipócrita!

Não sou uma mulher que passa o dia a aprazar-se de suas qualidades - até porque me culpo muitas vezes por tanto falar dos meus defeitos. Mas é certo que sinto uma grande satisfação quando alguém aprecia o meu trabalho ou simplesmente congratula-me pelo vestido que trajo – não somos todos um bocadinho hipócritas quando criticamos alguém por dizer a verdade quando no fundo esperamos que alguém o faça por nós? Hipócritas e falsamente humildes. Pois é, eu sou culpada desse mesmo pecado mas isso não faz de mim melhor que ninguém, faz-me humana. Eu sei que sou um bocado egocêntrica e escrevo mais para a paz da minha alma, mas o meu maior desejo é partilhar um pouco de mim e relacionar-me com quem procura as minhas palavras – eu sei que por vezes me faz falta alguém que tenha passado pelo mesmo que eu, para não me sentir tão só na minha dor. O que não desculpa ou justifica o comportamento da senhora mencionada, infelizmente tacto é uma coisa que não "não lhe assiste", passando a expressão. Mesmo assim não tenho o direito de julgar uma pessoa unicamente pela imagem que ela passa na televisão ou pelo que as pessoas dizem dela, se não damos uma oportunidade nunca vamos conhecer ninguém intimamente. Todos temos defeitos e todos nós já nos arrependemos de algo que dissemos num momento nada fiel ao nosso carácter.

Por isso não interpretem mal as minhas palavras ou a maneira como ajo naturalmente, não tenho um pingo de falsidade ou presunção, não caminho nas nuvens rodeada de ornamentos de ouro, como muitos me julgam. Não, eu dou graças por tudo o que tenho e sei que nada é garantido, não tenho pouco ou demasiado mas o que tenho trabalhei e trabalho por isso. Foi esse o legado do que o meu avô me deixou - muito amor e compaixão, e as ferramentas necessárias para ser uma mulher independente e orgulhosa de si mesma. As minhas palavras por vezes não são as mais corretas ou sequer as mais educadas mas a malicia e a inveja são por vezes intoleráveis à minha índole, não fui educada a sentir tais afeções. A felicidade é mais fácil de trabalhar que a inveja.

Pensem bem antes de julgar alguém, quem nunca pecou que atire a primeira pedra. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Reality Check

Não sei bem porque, mas nos últimos meses desejo intensamente escrever sobre mil e uma coisas e simplesmente não tenho confiança. No momento em que a minha vida deu uma volta “negativa” senti uma força que de certo modo se traduzia numa sensação de imortalidade… não importava o que fizesse ou dissesse, não tinha medo porque nada ia superar o sofrimento que dominava a minha alma. E agora sinto-me extremamente consciente de que estou a ser julgada pelas pessoas, que se interessam em ler isto; e acima de tudo que esse julgamento é mais importante para mim do que outrora era a minha única forma de “expressão pessoal”. Esse sentimento de “não ser suficiente” lançou uma sombra sobre todos os aspetos importantes da minha humilde existência. Nunca em toda a minha vida duvidei tanto e tão intensamente de todas as minhas capacidades, na verdade sempre me senti confortável na minha pele e capaz de atingir todas as metas a que me propunha sem dificuldade… agora não tenho coragem de colocar metas porque metas são um compromisso que à partida não vou cumprir.

thegalleryfromoverthere.wordpress.com
Mas estou a obrigar-me a derrubar estes muros que se construíram à minha volta, e estou a tomar mais interesse nos temas da atualidade. Estou a tentar construir bases que aos poucos me fazem sentir mais confiante para expor um pouco do meu intelecto, e sentir-me novamente presunçosa das minhas qualidades jornalísticas. Afinal que tenho eu a perder? Nunca vou conseguir agradar a toda a gente e procurar validação noutros não se compara com a necessidade que tenho em me expressar e de ganhar a minha voz. Vou tentar mais uma vez sair deste momento negativo e encontrar a minha força no meio de todos os meus medos e inseguranças.

Sinto que levei um duche de realidade e não está a ser uma experiência agradável embora seja necessária. Por vezes passamos o tempo envoltos numa bolha dos nossos problemas e esquecemo-nos que existe um mundo lá fora que está a desmoronar-se dia a dia. Faz-me lembrar uma cena dum filme ou serie televisiva, em que uma pessoa positiva e alegre descobre que o mundo afinal não é feito de arco-íris e póneis rosa; esse choque é demasiado e a tristeza e depressão instala-se duma maneira aterradora. Vejo o telejornal e choro piamente porque não acredito o quão egoísta tenho sido até agora (e que ainda se nota pelo longo discurso totalmente egocêntrico) e também porque não sei como posso contribuir para a solução de cada problema. Porque acredito que se não somos parte da solução somos parte do problema, vejo a inércia das pessoas e lamento que prefiram ignorar e focar-se em coisas triviais… é com tristeza que vejo um parte do mundo em conflito por motivos políticos ou religiosos e a outra parte olhando de longe como se fosse um filme que nunca será a sua realidade.


www.pauldavisoncrime.com
Hoje o meu coração bate mais forte pelos 5 bombeiros que lutam nas urgências hospitalares, pela sua bravura no combate aos incêndios que este ano já provocaram a morte de 4 pessoas - que se arriscaram voluntariamente e de forma altruísta para servir as suas comunidades. E pelas pessoas que tanto perderam com este fogo que ainda flagra intensamente, desejo que continuem com força a reconstruir as suas vidas.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Refletindo sobre… as greves

jornalatromba.blogspot.com 
Nos últimos dias a imprensa nacional debruçou-se sobre a grande aderência dos professores do secundário á greve nacional, que se realizou no dia do exame nacional de português. Já se questionava anteriormente quais seriam as repercussões desta demanda e se a voz do povo se faria ouvir. No fim de contas o movimento captou a atenção dos média e do governo mas as mudanças ainda se fazem esperar.

Tenho uma opinião “negativa”, que eu própria considero pouco informada, sobre as greves que são tão populares hoje em dia. Não querendo ferir susceptibilidades penso que estas greves extraordinárias prejudicam mais do que ajudam. Não quero nem vou de modo algum menosprezar os motivos que levam estes profissionais a entrar em greve. A educação é um dos pilares da nossa sociedade e fulcral para moldar as mentes dos jovens de hoje que serão os adultos de amanhã. Sou testemunha das condições miseráveis que muitas vezes são oferecidas a estes profissionais e a instabilidade que a carreira oferece - o que nesta economia se torna uma combinação desesperante. Tive o privilégio de ser orientada por verdadeiros mestres e amantes da arte do saber e ensinar, e tenho o maior respeito pelo trabalho que desenvolvem e a “Fé” e esforço que colocam sob a instrução dos pupilos de hoje em dia (mas isso já é motivo para outra discussão). E por isso apoio e compreendo o descontentamento e a necessidade de ver o governo, que normalmente deixa tudo por meias palavras, tomar uma posição firme e definida. No entanto questiono-me se este é o caminho certo ou o mais frutífero.

veja.abril.com.br
As greves são uma manifestação contra algo que está errado na sociedade e por isso devem ser levadas a sério e consideradas com respeito, mas como tudo na vida, tem também um lado negativo. Quando os funcionários que são responsáveis pelos transportes públicos decidem fazer uma greve, os trabalhadores que estão dependentes destes sofrem as consequências sem fazerem parte da demanda dos primeiros. Parece-me extremamente injusto pagar o justo pelo pecador! Neste caso os lesados são os alunos que precisam do exame para se candidatarem ao ensino superior e se vêem numa situação de incerteza e nervosismo desnecessárias. Mais que isso, e como se verificou em Braga, a forma como se lidou com a falta de professores para a realização dos exames levou ao “prematuro caos” por parte dos alunos que não puderam realizar os exames - que perturbaram a ordem e a segurança. Mesmo com o Ministro da Educação a tentar suavizar a situação e a garantir soluções, o facto é que é uma situação grave e deveria ser lhe dada a devida importância e não ser tratada como um pequeno percalço. Por vezes pergunto-me se estaremos assim tão longe dos tempos em que esfaqueavam os imperadores porque não estavam contentes com a ditadura praticada por este. Pinto um quadro cómico mas a preocupação é real! 

alutaepravaler.blogspot.com
Mas que sei eu sobre isto? Muito pouco, pergunto-me que outra solução posso eu propor para resolver os problemas que perturbam o normal funcionamento da sociedade? Não faço a mínima ideia, mas também acho que esta não é a melhor. Gostava que o governo tivesse em consideração as necessidades da população? Claro que sim, mas as coisas são como são e temos que trabalhar com o que temos. Não será a hora de nos concentrarmos em levar a mudança a um patamar superior? Reformular os velhos valores e crenças deste país que vive do passado, e apostar nos jovens empreendedores que estão a ser postos de parte antes de terem uma oportunidade? Buscar novas formas de produzir internamente e criar empregos para o povo português em Portugal. Pequenas ideias que poderiam fazer uma diferença enorme e parece que ninguém se atreve a tentar! Porque é que parece mais importante queixarmo-nos do que não podemos mudar? Às vezes incomoda-me a inércia do nosso povo, sempre á espera que as coisas se resolvam sozinhas ou que alguém o venha fazer por nós! Não é altura de termos uma atitude mais proactiva? 

Parece tudo uma grande comédia e de facto vive-se como tal. Mas vivemos numa aparente democracia e parece que nunca estamos verdadeiramente satisfeitos, ou que possuímos a liberdade para mudar isso! O que não quer dizer que não podemos tentar…

Fica aqui a ideia e o pensamento que me levou a esta reflexão. Não tanto das reivindicações dos professores, com as quais concordo pontualmente, mas mais de uma perspetiva das greves em geral. Espero que tenham apreciado e que respeitem as minhas opiniões como eu respeitarei as vossas se as desejarem expressar.

NOTA:
Esta rúbrica é uma ideia que tenho considerado já há algum tempo, mas que ainda me deixa um pouco reticente. É sempre um risco considerável expor a nossa opinião sobre assuntos de natureza susceptível, arriscando-me a ter que lidar com comentários e ofensas desagradáveis. Mas, o certo é que, também faz parte da minha índole colocar-me no meio de controvérsias que suscitam o meu interesse e provocam uma reação explosiva sob as minhas crenças. No entanto tenho que sublinhar que o meu objetivo desta rúbrica “Refletindo sobre…” é inteiramente subjetivo, são as minhas opiniões e visões sobre determinados assuntos. Assuntos nos quais emprego (da melhor maneira possível) as minhas capacidades refletivas e argumentativas. E consequentemente procuro receber algum feedback e possivelmente trocar impressões sobre os temas que seleciono. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

What hurts the most

I can feel how much you miss me… when you look for me with those hungry eyes of yours and don´t find me waiting. Those love hungry eyes that scream how much you need me...

On those long lonely nights when you close your eyes and think I am there… only finding the cold lonely sheets and the smell I left …

I´ll never be there, I cannot lay there… no more… Don´t look for me, I am long gone… I lied... I cannot love, I don´t have a heart…



sexta-feira, 24 de maio de 2013

A Ausência


Por vezes temos que criar uma distância para perceber o quanto algo ou alguém é importante para nós, se o é de todo! Tenho estado ausente... ausente da web, da universidade e da maior parte das pessoas - ausente do mundo que conhecia... precisava de ver as coisas de longe, de pensar realmente no todo, sem me sentir pressionada a continuar no mesmo vai e vem a que me tinham aprisionado. Por vezes surpreendo-me a mim mesma com a facilidade que em certos momentos da minha vida, quando sou assombrada por uma dor que sou incapaz de processar normalmente, me vejo anestesiada de vazio e dopada de esquecimento. Foco-me completamente em reprimir o que sinto que apenas sobra uma sombra de mim que vagueia pela vida - e quando dou por mim já passaram meses e continuo adormecida, entorpecida e amolecida pela minha própria inercia perante a dor avalassadora que sinto. Sim é estúpido mas ainda não sei ser doutra maneira.

Mas mesmo assim este tempo permitiu-me fazer uma avaliação profunda da minha vida agora e do que estou a construir para a minha vida no futuro. E é com espanto que me vejo mais uma vez presa na minha própria armadilha e estou no caminho para a autodestruição. Eu sou 100% honesta e já há muito que deixei de me preocupar com o que digo aqui, independentemente se é lido ou não, por isso aqui vai... Tenho vergonha de mim mesma, por mais vezes que eu tente consciencializar-me de que tenho que me fazer feliz, volto sempre ao caminho de "fazer os outros felizes" - automaticamente ficando miserável. Mas e agora? Agora é voltar a carregar até chegar, porque ainda tenho muito pela frente e não posso falhar toda a vida . tenho otimismo que chegue pelo menos. Não há atalhos na vida, tenho que seguir o meu caminho por mais difícil que me pareça mas sei que vou conseguir eventualmente...

Tenho meditado sobre tudo isto, e muito muito mais, e tenho conseguido atingir a iluminação em certas coisas que me apoquentavam a alma enquanto outras ainda precisam de um pouco mais de amadurecimento, aprendizagem e acima de tudo calma. Sem dúvida uma das coisas que consegui concretizar neste meu período de afastamento, levar a vida com mais calma e daqui veremos o que seguirá... 

Estou com mais esperança para os planos futuros, pelo menos tenho planos... e apesar deste post ser um pouco vago tenho intenções de me alongar imenso nos próximos tempos e quem sabe tornar-me uma escritora mais assídua. Sinto falta de escrever para o meu querido "Povo de Fafe" que espero sinceramente volte á vida em breve - e daí em diante poder também contribuir para animar o dia dos meus queridos conterrâneos, como sempre. Isso fazer-me-ia feliz. Tenho projectos para o blog que espero concretizar brevemente... 



Entretanto tenho me preocupado em acordar com um sorriso na cara, ver pessoas que me fazem sorrir e rir até chorar, aproveitar os tempos de lazer para alimentar a minha sede de conhecimento (e entretenimento claro), comer bem e sentir-me mais saudável e pela noite deitar a cabeça na almofada feliz porque sei que fiz o que queria fazer (e que vou sonhar com algo extremamente bom, hmm coisas de mulher)...
Deixo-vos com uma mensagem de esperança para quem ainda tem vontade de me ler, embora confusa e vaga, sempre honesta e pronta a renovar-me a cada etapa da vida...



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Entry 7#



I have been opening and closing my blog´s window so many times the last few days I wonder why it didn´t broke yet! It is not that that I am having an off moment, artistically wise, but I feel a little scare and in some ways like a brand new person that does not know how to express herself (I am not even sure if I am making myself clear). I told you before I was experiencing a new phase in my life and it feels completely different from everything I lived before. Maybe that is why I am a little shy about this change, but things are moving on so fast that I don´t feel comfortable yet. It´s not a question of self-doubt, because I know who I am and what I want, it´s just me trying to accept the fact that I am happy. I know this sounds weird but I have a tendency to feel extremely guilty towards my own happiness for I yet haven´t accomplish the impossible task, that I force on myself, to see everyone I love happy too. But that is a little problem I will deal as I always do… 

Vicent Van Gogh - "Sunflowers"

On a happier note I am truly and less culpable, happy and that is such an amazing feeling. I just wish I could say this words without sounding like a cliché but instead as an incentive to you, if you don´t feel particularly in love with your current self at the moment (as I was), to change your mind. Find a balance in my life is almost always impossible, up until now at least, I am always going back to my old routines and I suffocate with frivolous things in the hopes I forget why I don´t like who I am. Since I started this blog, and I have stated it here before, all of that changed slowly and I have been searching, up till the ends of my soul, to pour out my essence into words (discovering that it is the best therapy in the market). Now I know that those of you, that do not know me in person, will think I write publicly to make my friends like me or to be more popular… it is quite the contrary, since the people who do know me in person think they know me at all and therefore do not need to read my blog, for curiosity sake or otherwise (I write about other things apart from myself – not lately that is all). I sure love to prove them wrong, and for my own benefit, coming clean and really taking up on myself to change and improve my well-being (only and solely for my benefit) as shown to be extremely satisfactory. Or in other words, just what I needed to really begin a new chapter - and what I have always hoped – as the woman I want to be and not the adolescent and quite insecure person I used to be.  



Find the reason to love being alone with yourself - I find myself surprisingly entertaining (in my own head), don´t attach yourself to another person if you haven´t defined yourself as one and finally analyze the people in your life and feel comfortable in choosing the one´s that really contribute to your happiness instead of those you talk on your back (it takes time to know that so just be very cautious). And that is my recipe for happy new me :D.
Just learn to value yourself, I can´t stress this enough, because it took me a long time to realize that was my problem all along. If you are in a tight spot like I was and can´t really see yourself anymore just remember that what matters is what makes you truly happy – any other half feeling isn´t enough! And I am a good listener…

See you later yall :D

sábado, 23 de março de 2013

Dia do Pai



ohnaooutroblog-educacaoinfancia.blogspot.com
Não quero mentir, mas seriam por volta das 1h30 do dia 19 deste mês que percebi – através das mensagens e declarações de vários amigos aos seus pais, via facebook –que era dia do pai… Sem entender o que estava a acontecer, senti as lagrimas correrem-me pela face, numa angústia desmedida senti a dor no peito que já me é tão amiga e a saudade que me consome tomou conta das minhas emoções. Como se olhasse para mim mesma, numa espécie de “out of body experience”, e comtemplei o meu corpo inerte e a expressão apática que me dançava no rosto. Como poderia ter-me esquecido? Como posso sentir isto agora e por nada? Mas por tanto tempo neutralizei os pensamentos desesperantes da tua perda, numa loucura temporária de tentar manter-me sã - quando sei que continuo e continuarei demente de dor, que tudo fora do meu controlo é agora um intruso, um mero parasita… Mas esta é uma realidade da qual não posso fugir por mais que tente, minto-me todos os dias para poder sobreviver neste mundo, mas neste dia não consegui (será o inicio de uma nova fase?)

Tenho pensado muito sobre o processo de luto, será que estou a fazer isto bem? Haverá alguma maneira de fazer isto bem? Se não, porque é que tanta gente é incompreensiva e intolerante ao meu sofrimento inadvertido? Como é suposto eu saber o que fazer? O maior medo, o mais profundo medo que me assombra desde que consigo articular pensamentos, perder um dos pilares da minha existência: é uma realidade! E é uma realidade demasiado pesada para suportar. Leva muito tempo, quase passou um ano e ainda me vêm as lagrimas aos olhos ao dizer o teu nome e levou-me um ano para passar a fase da negação e ainda estou a debater-me com a fase da dor agoniante – não não fica confortável aqui no coração e não ainda não é apenas uma boa memoria que vive em mim. Mas luto um dia de cada vez para provar que eu te amo pai, fazendo aquilo que tu sempre sonhaste para mim, lutar pelo que me faz feliz e nunca desistir mesmo que as coisas pareçam tao inalcançáveis. E sinto-me um falhanço… E sinto culpa por me sentir culpada de ser feliz…

Por vezes pergunto-me se estou a perder a minha visão neste blog e estou a transformá-lo num festival de pena, na pobre menina que tem tantos problemas e sofre tanto e não completa nenhum projecto… é um bocado triste e absurdo, por outro lado eu escrevo para mim e faço-o pura e honestamente, fiel a mim mesma e não consigo libertar o que me vai na alma de nenhuma outra forma. Se isso faz de mim uma blogger de diário então que seja. Não quero que tenham pena de mim, quero partilhar a minha experiencia e quem sabe mostrar a alguém ai do outro lado que não são os únicos no mundo a sentir isto…

www.centrovegetariano.org
Queria fazer uma homenagem linda ao meu pai, mas receio que o meu coração está demasiado pisado por esta dor que a tua falta me dá. Não consigo racionalizar o que sinto, não consigo fazer sentido do que a minha cabeça produz e só agora passou a sensação de estar paralisada mas ainda sinto os pensamentos dormentes. Se ou quando passar farei algo mais apropriado. Mesmo assim é um marco importante para mim… admitir a mim mesma que a realidade é esta. Que fingir que estás a chegar a casa, ou que estás no café e que vens mais tarde, não ajuda com as minhas ilusões do que a vida poderia ser se não tivesses partido. E isso é novo e positivo, eu creio, quem sabe o próximo passo será deixar de sentir a culpa, mas isso é muito á frente no livro. Por agora guardo a minha dor e deixo-a cansar-se no meu peito e quando estou sozinha deixo-a correr livre…

Amo-te pai com todas as forças, ainda me recordo dos presentes e poemas que que fazíamos para o dia pai na escola, e como me orgulhava de ter o pai mais inteligente e culto do mundo. Cada vez que fecho os olhos vejo o teu sorriso. Aquele sorriso cheio de amor e orgulho na sua pequena. E isso vale mais que mil palavras. Talvez não exista ninguém no mundo que me compreenda da maneira que tu compreendes pai mas pelo menos tive a sorte de me teres escolhido, para amar e cuidar, sem ti não era quem sou… Não tinhas que fazer nada por mim mas fizeste este mundo e o outro e isso nunca vai morrer… Amo-te…