segunda-feira, 21 de maio de 2012

Confissões de uma "Pseudo-Escritora"

Sinto que chegou a hora de ser sincera, por tanto tempo escondi-me atrás de máscaras de felicidade e de palavras pré-produzidas que confortavam as pessoas – por tanto tempo que me esqueci da minha verdadeira essência. E agora parece que algo “quebrou” em mim e não sinto a necessidade de agradar ninguém com as minhas palavras, e não o voltarei a fazer. Vou clarificar algo: não acho que tenha um grande dom, mas uma vez que tenho aqui um canal aberto e que sou livre de dizer o que penso, vou pegar na minha “liberdade da palavra” e usá-la a meu bem parecer. Não peço que gostem ou que concordem apenas que respeitem.

Nos últimos tempos tenho pensado muito e sobre várias coisas, e por vezes toco num dos pontos mais sensíveis do meu íntimo: “Quem sou eu?” - uma questão que me assustava no passado, porque não sabia e não queria descobrir … Não tenho medo agora e já sei a resposta, e a resposta é “Não sei e não faz mal” ainda tenho tempo e estou desejosa de experimentar a vida. A questão que mais me importa é que me mantenha fiel a mim mesma, e por muito tempo não o fiz. Quero recuperar a minha essência e isto para mim é um começo, um começo honesto... Daí esta confissão!

Não vou aceitar pressões ou criticas ao meu estilo e as minhas escolhas de vida, vou continuar esta jornada de descobrimento de mim mesma, e por enquanto vou escrevendo o que sinto, o que penso, o que sonho até… 

Tenho a consciência limpa, tenho o coração leve e a alma transparente...
Não sou falsa, não minto e não finjo...
Estou aqui, estou livre e estou feliz…




A foto é minha por isso a sua cópia ou uso é ilegal. Por favor não roubem o meu trabalho.

sábado, 12 de maio de 2012

Direitos do Consumidor


 Todo o mundo sabe o que são “Direitos do Consumidor”, mas saber o significado dos signos não significa que se saiba realmente o que significa Direitos do Consumidor. 

Na situação económica actual, em que vemos os nossos direitos restringidos em prol do bem comum e da reconstrução de um país em ruinas, tornamo-nos mais inócuos perante situações que perfuram a ínfima liberdade que nos resta. Agarrados a um passado epopeico, Iludidos pelas promessas ocas e pelas promoções aliciantes, esquecemo-nos que a luta não terminou e que não nos podemos acomodar e esperar que alguém faça algo por nós. 

Porto Cartoon World Festival_Mihai Ignat



E por falar em crise e em “apertar o cinto”, uma expressão que se repete quase mecanicamente, porque não adoptar algumas medidas simples para “sobreviver” com dignidade? Umas das coisas que mais me impressiona é que, mesmo sabendo que o monopólio do petróleo explora o povinho, esse mesmo povinho sujeita-se aos aumentos e, recentemente, ridículas descidas de preços e “vai andado enquanto dá” - “os transportes públicos ainda não são uma alternativa interessante ao automóvel” – segundo um estudo da DECO / PRO TESTE. São uma opção mais ecológica, prática, normalmente cómoda e essencialmente económica, mas mesmo assim ainda precisa de ser melhorada. Em termos de atendimento, rapidez dos serviços e também adaptada á crescente necessidade do consumidor, especialmente nas zonas menos populosas (falando particularmente do nosso concelho). Eu não sinto necessidade de contribuir para a destruição da camada do ozono, mas enquanto consumidora sinto-me no direito de exigir o mínimo de condições quando pago para ter um serviço. Pedem-nos esforços, pedem-nos dinheiro, pedem-nos “usem os serviços PÚBLICOS” e no fim de contas parece que nós CONSUMIDORES é que estamos a “pedir” um favor. 

Existem informações mais que suficientes, apoios mais que necessários e só falta consumidores que desejem proteger os seus direitos. Enquanto nos deixarmos guiar inconscientemente, acreditando esperançosos que o futuro vai ser melhor, eliminamos todas as oportunidades de remendar o presente. A partir do momento em que todos se aperceberem do que se passa e se levantarem mais uma vez para lutarem, talvez aí possam reerguer a tão esplendorosa pátria á beira-mar plantada, que tantas glórias conquistou. Aquela de que tanto nos orgulhamos mas que já há muito o deixou de ser.

Temos direito a ter direitos. 
                                                                                                                    

08-05-2012

TEMPUS FUGIT

O tempo corre, as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos passam quase sem darmos por isso. Vivemos, crescendo e aprendendo, com um olhar no futuro que parece não chegar, e nós sedentos de “ser alguém”. E num momento em que o tempo pára, a visão distorce-se e tudo parece perder o sentido, só uma coisa é real: o agora. Somos obrigados a aceitar que somos simplesmente humanos. E aí restam os fragmentos da felicidade e facilidade de outrora, fragmentos que teremos de reunir e carregar connosco, enquanto voltamos lentamente à ilusão de que o fim ainda está longe.

O tempo foge, irremediavelmente ele foge. Não adianta ignorar porque ele nunca se esquece, nunca espera. Enfrentá-lo é respeitá-lo, porque não o podemos vencer. E o amor é a única coisa que devemos deveras ambicionar, porque ele nunca morre, nunca se esgota e alimenta o espírito em todos os momentos da vida. O amor-próprio, o amor aos outros, é isso que nos aconchega a alma e nos dá força para viver, um dia de cada vez, e continuar… Enquanto existir amor, todas as vitórias e derrotas encontram no seu cais um porto seguro para ancorar, e no íntimo do nosso coração residirão todos aqueles que amamos e perdemos. 

A memória é uma faculdade fascinante, o poder guardar e recordar momentos, sensações e pessoas, é uma ferramenta frutuosa. Mas a memória às vezes também nos atraiçoa, e quando desejamos esquecer, ela convida-nos a relembrar um pouco mais, e enquanto o coração chora de saudade, a memória diz-nos “isto é bom”. Mas não a devemos culpar, porque recordar é melhor que esquecer, e um dia quando as memórias forem menos dolorosas vai ser bom saber que valeu pena e que há uma razão para a nossa existência: sermos felizes. 

Por isso mesmo devemos agarrar o tempo e enquanto ele tenta escapar-nos por entre os dedos, vivermos ainda com mais força, mais alegria e mais esperança. Um dia pode ser já amanhã, e enquanto andamos preocupados com a casa ou o carro que queremos comprar quando formos “grandes” (ou qualquer outro problema “insolúvel” que parece encher-nos o pensamento), podemos parar no tempo, olhar em volta e agradecer-lhe, agradecer porque estamos aqui, agora e temos as ferramentas todas para sermos felizes, só temos que querer. Vamos ser felizes… 

Para Ti Avô: 
Porque por mais que o tempo passe,
As tuas memórias hão-de viver sempre em mim. 

26-04-2012



La persistencia de la memoria , Salvador dalí (1931)