A mim o que me irrita é fazerem um circo dos horrores á
volta da praxe por causa de 6 meninos riquinhos, cujos rabiosques ainda cheiram
a cueiros (como diz a minha avó), que estavam tão aborrecidos nas suas vidinhas
pequeninas e decidiram fazer um fim de semana no Meco (sim porque quem pode
pode) e acabaram a dar á costa, sem vida, unica e exclusivamente pela sua
estupidez extrema.
Todos nós com uma televisão por isso sabemos que o mar está
farto de esbordar-se terra fora, eu não conheço gente rica mas acho que eles
ainda usam disso; ninguém no seu perfeito juizo se poem numa situação daquelas
(se bem que por todo o mundo existe aquela raça de gente que se regogiza em
estar na primeira fila das catástrofes, sim porque tem imensa graça filmar
ondas gigantes, tornados e cheias) por isso além de imaturos o tico e o teco
não jogavam juntos; e por fim, ninguém viu um gajo com uma arma (sociedades
secretas sem munições o.O) a obrigar aquela malta a alugar uma casinha e ir
brincar aos castelos de areia juntos do mar revolto, durante a noite. -.-
A sério há muitas
coisas que ouço todos os dias e me faz revirar os olhos mas esta conspiração
que se tem visto na última semana, nos noticiários nacionais, esta a dar-me uma
azia desgraçada. Sem querer ofender susceptibilidades, vamos parar de limpar o
cuzinho desta gentinha rica e não atirar areia para os olhos do povo, temos de
aceitar a realidade: as pessoas são estúpidas, com ou sem praxe! Eu não
tenho pena nenhuma, quem se arrisca assim não tem desculpa; foram ao mar e
perderam a vida, olha não fossem. Eu guardo a minha compaixão para os que são
devastados por tragédias reais, dia após dia. Não tenho tempo para jogos dos
media.
Fico estupefacta perante a minha
pureza de espirito; aqui estava eu julgando que o povo já estava “sabido” no
jogo político, e por isso não se deixariam ser ludibriados por falsas intensões
e promessas, e estava redondamente enganada! A vida é feita destas duras
lições, mas eu mantenho o meu espirito positivo e espero que a sociedade se transforme,
e sejamos um pouco mais altruístas e solidários para com os nossos vizinhos – e
não daria eu uma boa política? Não, porque a ironia não é o mesmo que a pura
mentira!
jornalavem.wordpress.com
Lá na terra dos Deuses, há
séculos atrás, uns quantos ideologistas orquestraram um plano de meticulosas regras
e punições, que Nicolau Maquiavel viria a rotular
de “a arte de conquistar, manter e
exercer o poder, o governo"”.
Trocaram as togas pelos ostentosos fatos que agora envergam; mudaram os termos
para despistar a falta de criatividade, mas a política é a mesma – mascarar a
simples e pura ignorância por detrás de um vocabulário que o cidadão mais
humilde toma por “caro” e assume, erradamente, por “entendido”. Com esta
observação subjetiva podem concluir, e com razão, que não sou mulher de
políticas. Nunca senti um apelo particular pela ideia, e agora que compreendo
um pouco mais, tenho-lhe ainda mais aversão. É um jogo de indivíduos
pretensiosos e vazios daquilo que entendo por política (uma luta pela igualdade
e o bem-estar de todos), logo prefiro não tomar uma posição ou discutir partidos
– é uma daquelas velhas disputas que nunca mais acabam (e que na minha opinião
servem para muito pouco). No entanto, estou consciente que uma sociedade
anarquista não é exequível e compreendo a necessidade de manter um qualquer
tipo de ordem para o funcionamento (bom ou mau) da sociedade. De qualquer
maneira não consigo aceitar que ainda ninguém tenha avançado com uma ideia melhor
para resolver o “problema”, duma forma mais justa e civilizada – não cabe na
minha cabeça que um governo se ache no direito de atacar outro, usando-se de
razões dúbias, e depois saqueie descaradamente as riquezas naturais do mesmo!
Passando à frente desta minha
observação, e ainda no campo politica, hoje opino a propósito das eleições que
ocorreram por todo o país. Incomoda-me o tempo que dedicamos às promessas
vazias que se repetem em panfletos copiados e cansados do mesmo; aos
espetáculos circenses que imitam um genuíno interesse nas necessidades do povo;
e à monopolização do tempo de antena – dando preferência a uns em detrimento doutros.
E de quatro em quatro anos sou obrigada e levar com os panfletos, que só
demonstram a desconsideração pela preservação das florestas; e a poluição
sonora dos carros de campanha, que numa época de contenção são mais um luxo
despropositado; e pior que isso, os chocolates nas caixas do supermercado! Vou
explicar esta frase aparentemente fora de contexto: os supermercados colocam as
malditas guloseimas nas caixas de pagamento para que se tornem mais atrativas
(e confesso que resultam vergonhosamente comigo); tal como as, aparentemente,
inócuas “oferendas” que os partidos distribuem estrategicamente mesmo às
“portas das urnas” – figurativamente! Acho desonesto da parte dos supermercados
obrigarem-me a comer chocolates, gomas e pastilhas elásticas, quando sou
claramente capaz de decidir por mim mesma se quero uma guloseima ou não! Já fui
por mais que uma vez ao supermercado, unicamente para satisfazer a minha gula!
Obrigado mas não obrigado “Grande Pai”, mas eu não vou eleger um saco de
m&m´s porque hoje tenho maças! Não me fazem cáries só porque num momento de
fraqueza vacilei, e importam-se com o meu bem-estar e em dar-me o que preciso.
Afinal tudo está ligado à
política – assim como a religião e qualquer outra “empresa” que gera e acumula
zilhões! E é a isto que chamamos de humanidade – a lei do mais forte com o
único objetivo de acumular mais e mais riqueza!
graosdeareia.wordpress.com
E no fim somos cinza, pó e depois,
nada. Não parece tudo tão absurdo quando vemos desta perspetiva?
Today I was
reflecting about abandonment, poverty and homelessness – you see this city is
wonderful but if we take a closer look we see reality, everywhere there is
people sleeping on the streets and begging for money. It´s a disease that has
increased alongside the economic crises our country is going through at the
moment. More and more I see all kinds of people going through trash cans and
searching for leftovers or clothes, or something they can sell to make money.
The other
day I was having coffee with my family and 3 people that looked very hungry,
asked for money to eat. I caught myself thinking so I asked my grandma, why do
this people end up here? Don´t they have families that can care for them? Doesn´t
anybody care? And I cried a little. I know I am ridiculous, but is it really
that ridiculous to care about people and their suffering? What did they do to
deserve to end up their days in the streets? I don´t believe in god, I have my
reasons and I won´t get into that discussion because it is pointless and it
only lead to trouble – so I realize they are victims of the harsh reality that
is the poor economic management our
country suffers from.
Does
anybody care? Every person is so obsessed and concern about their own lives and
trivial problems, they don´t realize how lucky they are. That´s why they pass
in front of these people and choose to ignore or pretend they don´t hear their
cry. It is unfair that these human beings are seen as disposable citizens
because they no longer contribute with work. We are people we´re not numbers on
a computer! There are millions of houses that are sealed by the banks because
their habitants can no longer pay their loans, so why can´t we give them to
those in need? Maybe they can rise from the ashes and live with some dignity? Just
because their selfish sons don´t give a damn doesn´t mean that we as a society
are responsibility free! I feel so sad I have to be an adult in a world that is
disappointing in so many aspects; I just want to live in a world that cares.
I´ll leave
you to think about this, please reflect. If you can make an effort you´re
making the difference that may be essential in the solution of this situation.
É
com os olhos virgens de uma sonhadora que “amando”, esperançosamente,
uns olhares esguios ao noticiário da TVI enquanto depenico nos resquícios do
meu salmão grelhado – e dou por mim a rir tão incontrolavelmente que juraria
ser milagre não me ter engasgado com uma espinha – para mim uma tragédia por
dia é suficiente! O meu desdém pela comunicação social nacional já se demonstra
bastante agravado, mas a cada dia a barra de qualidade atinge níveis extraordinários
de inutilidade, estupidez e ridículo. É ridículo a quantidade de areia que tentam
atirar-nos aos olhos - e o povo gosta! Que se pode fazer?
Quase
que dou um “passe” aos comentários idióticos sobre a peça “Iowa legaliza a
venda de armas de fogo a deficientes visuais” – porque é uma realidade aparte
do resto do comum dos mortais, e claro porque nosotros (a.k.a. ocidente) comemos
cultura norte americana às toneladas (see what I did there?), hmm melhor que caracóis
não é? Olhem a lógica ocidental: Já que damos armas aos putos, que ainda não saíram
do armário, e vai daí um dia apetece-lhes dar um tiro na testa do professor; porque
não dar uma espingarda a uma pessoa que não consegue ver? O que é o pior que pode
acontecer? Confundir a namorada com um assaltante e depois - porque claro que ninguém
no seu juízo perfeito vai condenar este individuo – acabamos com uma jovem
assassinada e um culpado que sai impune! E é este tipo de comportamento que estamos
a gravar nas mentes influenciáveis das crianças, que no futuro vão matar a mãe porque
esta não lhe comprou o novo jogo da playstation (ou o que quer que seja que os miúdos
gostam hoje em dia, quem sabe?). A minha repulsa por tudo “americano” podia ter
aumentado mas já estou imune, já nada me impressiona dali. E rio muito e
honestamente, porque tristezas não pagam dividas e se não somos capazes de nos
rir de nós próprios (e por “nós” digo sociedade), bem, nem vale a pena rir de
nada!
Mas
fico possessa quando de seguida dedicam um segmento, de 10 minutos à vontade,
ao aperto de mão que o cristianinho deu a outro qualquer jogador – e que aparentemente
deve ser algo raro no país ao lado - porque não vejo outra explicação para
tanto alarido. E para acabar os dez minutos em beleza, as imagens mais “frescas”
de um outro jogador que foi para não sei onde e que, preparem os vossos corações,
terá problemas em adaptar-se à nova cultura e aposentos. Pobre rapaz deve ser mesmo
chato largar as saias da mamã para ganhar mais uns míseros biliões. Estou mesmo
preocupada com esta questão tão mais importante do que os idiotas dos
americanos a oferecer bombas a literalmente qualquer pessoa que as quiser! Mais
meus amigos, só em 2 ou 3 estados é que são obrigatórios exames visuais antes
de obter a licença de posse de arma! O que significa que nem é preciso fazer
testes para, sei lá, avaliar a capacidade mental necessária para saber
distinguir quando usar uma arma, ou melhor, quando não a usar (que na minha
opinião deveria ser 99% das vezes)! Como podem confirmar no vídeo, a licença até pode ser obtida na internet! Deus como é que é possível que a burrice
desta “Nação” não esteja sob a nossa lupa todos os segundos de todos os dias?
Outras
notícias de grande interesse nacional? O Passos Coelho inaugurou uma escola, e
os professores de EVT estão no desemprego! Só eu vejo a ironia? A ignorância deve
ser uma bênção! E mais areia para os olhos de todos nós. Fizeram a autópsia ao cadáver
da criança que foi negligenciada pelo pai, mas que provavelmente foi só esquecimento
por isso vai passar uma noite num quarto financiado pelo estado e amanha já nem
se lembra disto. Uma pobre toureira está nos cuidados intensivos e o diagnóstico
é reservado. Mais uma vez, sofro imenso por mais esta pessoa que ficou ferida
ao incitar um animal inocente a, literalmente, atacá-la com o único propósito de
entreter o povo num ritual de matança público – que lamento imenso queridos
apreciadores, mais vale chamar: um regresso ao degradante espetáculo de
gladiadores ao estilo do império romano. Só falta um idiota envolto num lençol
a gritar “soltem as bestas”!
Hoje sinto-me uma velhota que vive na montanha e só sabe reclamar sobre o governo!
E
mais um tesourinho deprimente no capitulo da História de Portugal!
Não é fantástico como assim que encontramos balanço espiritual todos os
nossos sentidos ficam muito mais apurados? Tenho-me encontrado a ouvir mais e a
falar menos, gosto do papel de observador, e as vantagens são imensas para o
meu desenvolvimento cultural… Sim, também inclui o uso de um vocabulário mais
rico e variado, e com um cheirinho de presunção que nunca matou ninguém. Para
além disso, encontro inspiração no dia-a-dia e dou comigo a pensar e a analisar
os ramos intrincados dos comportamentos e conversações triviais. É a volta ao
mundo terreno e ao mesmo tempo ao recanto do meu consciente - onde me enrolo
num manto de introspeção que me aquece a alma – são as pequenas coisas que me
fazem feliz.
E agora que já desenvolvi demasiado sobre coisas que só interessam à minha
pessoa vamos passar ao que me interessa. A querida Judite de Sousa estava hoje
num programa de tarde qualquer, a falar sobre um senhor (que infelizmente não
reconheci e por isso não o armazenei), e fez um curioso comentário: só as
grandes mentes possuem um intelectual musculado e por isso exigem e apreciam
uma discussão bem fundamentada (não são as palavras exatas mas a ideia era mais
ou menos esta). Isto fez-me pensar que afinal a Judite é um bocado presunçosa
(cheia de si mesma ou vaidosa) afinal de contas não é muito educado gabarmo-nos
das nossas qualidades intelectuais ou outras. Já não tinha uma grande impressão
da senhora e não melhorou definitivamente. Garanto-vos que conheço a minha
quota de idiotas convencidos que por usarem meia dúzia de palavras cultas e
decorarem dois factos interessantes sentem-se os senhores de toda a verdade!
Especialmente pseudoartistas (ego explosion). E depois disse a mim mesma: que
hipócrita!
Não sou uma mulher que passa o dia a aprazar-se de suas qualidades - até
porque me culpo muitas vezes por tanto falar dos meus defeitos. Mas é certo que
sinto uma grande satisfação quando alguém aprecia o meu trabalho ou
simplesmente congratula-me pelo vestido que trajo – não somos todos um
bocadinho hipócritas quando criticamos alguém por dizer a verdade quando no
fundo esperamos que alguém o faça por nós? Hipócritas e falsamente humildes.
Pois é, eu sou culpada desse mesmo pecado mas isso não faz de mim melhor que
ninguém, faz-me humana. Eu sei que sou um bocado egocêntrica e escrevo mais
para a paz da minha alma, mas o meu maior desejo é partilhar um pouco de mim e
relacionar-me com quem procura as minhas palavras – eu sei que por vezes me faz
falta alguém que tenha passado pelo mesmo que eu, para não me sentir tão só na
minha dor. O que não desculpa ou justifica o comportamento da senhora
mencionada, infelizmente tacto é uma coisa que não "não lhe assiste",
passando a expressão. Mesmo assim não tenho o direito de julgar uma pessoa
unicamente pela imagem que ela passa na televisão ou pelo que as pessoas dizem
dela, se não damos uma oportunidade nunca vamos conhecer ninguém intimamente.
Todos temos defeitos e todos nós já nos arrependemos de algo que dissemos num
momento nada fiel ao nosso carácter.
Por isso não interpretem mal as minhas palavras ou a maneira como ajo
naturalmente, não tenho um pingo de falsidade ou presunção, não caminho nas
nuvens rodeada de ornamentos de ouro, como muitos me julgam. Não, eu dou graças
por tudo o que tenho e sei que nada é garantido, não tenho pouco ou demasiado
mas o que tenho trabalhei e trabalho por isso. Foi esse o legado do que o meu
avô me deixou - muito amor e compaixão, e as ferramentas necessárias para ser
uma mulher independente e orgulhosa de si mesma. As minhas palavras por vezes
não são as mais corretas ou sequer as mais educadas mas a malicia e a inveja
são por vezes intoleráveis à minha índole, não fui educada a sentir tais afeções.
A felicidade é mais fácil de trabalhar que a inveja.
Pensem bem antes de julgar alguém, quem nunca pecou que atire a primeira
pedra.
Ultimamente um sentimento de
raiva consome a minha alma. Note-se que não sou o tipo de pessoa que sente
inveja ou faz juízos de valor; mas há certas coisas que observo e que não posso
evitar censurar visceralmente! Cada vez que ligo a televisão não posso evitar expressar
vocalmente a minha incredulidade – incêndios, mortes, o 2ª regaste que o
governo considera, os conflitos no Egipto, a declaração de guerra dos Estados
Unidos contra a Síria… Sinto-me revoltada e não vou desenvolver sobre estes
assuntos de momento - estou a tentar controlar a minha frustração.
elicaespanhol.blogspot
E agora perguntam vocês (digo eu
muito esperançosa), se não vou falar sobre isto porque é que o referi? Ora bem,
a ideia surgiu-me exatamente por estar atenta ao noticiário da noite (e ao
programa anterior), relativamente ao tipo de informação e à forma como decidem
na importância de cada tema.
Uma coisa que devem saber sobre mim:
faz tempo que não sigo atentamente a televisão nacional, sim eu sei que parece ridículo
mas é verdade! Sinceramente não compreendo a utilidade e o objetivo dos
programas de entretenimento; o conteúdo e as caras são as mesmas de à 15 anos
atrás (por mais que o nome mude) e para além disso a seleção de “pessoal” cada
vez mais me parece dúbia e lamentável (hint hint para a nova aquisição da TVI
ao sábado de tarde).
De seguida vêem os noticiários, que
ainda resistem a esta onda de desastres televisivos, mas falham também em conteúdo.
É certo que fazem uma passagem breve pelos assuntos da atualidade nacional e
mundial, por vezes até desgastando e esmiuçando noticias bastante planas. Mas
toda a atenção foca-se nas coisas mais triviais possíveis! Notícias sobre
recordes mundiais, concertos e festivais (transmitindo close-ups de jovens a
tomar banho?!), fofocas do mundo dos famosos, já para não falar da famosa
entrevista da Judite de Sousa ao jovem milionário, que é basicamente famoso por
ser milionário! Por vezes tenho de me beliscar para confirmar que não estou dentro
dum pesadelo jornalístico…
Desde pequena que sonho em
experimentar um pouco de tudo o que este mundo tem para me oferecer, e
ultimamente sinto-me inclinada para a comunicação social – gostaria de
construir uma carreira sólida como jornalista. Mas nunca me associaria a um
conceito televisivo cujo único objetivo é adormecer nossa qualidade inquisitiva
e baixar os nossos parâmetros de qualidade e proficuidade. Sou um bocado
idealista e quero mudar o mundo passo a passo (o sonho comanda a vida!);
preciso de “abanar” os conceitos e regras da sociedade e inserir um chip nas
mentes do mundo, um chip que obrigue as nossas mentes a questionar tudo! A palavra
é o instrumento ancestral e fulcral da humanidade, precisamos de redescobrir
esse poço de possibilidades e beber da fonte do saber.
Não sei bem porque, mas nos últimos
meses desejo intensamente escrever sobre mil e uma coisas e simplesmente não
tenho confiança. No momento em que a minha vida deu uma volta “negativa” senti
uma força que de certo modo se traduzia numa sensação de imortalidade… não
importava o que fizesse ou dissesse, não tinha medo porque nada ia superar o
sofrimento que dominava a minha alma. E agora sinto-me extremamente consciente
de que estou a ser julgada pelas pessoas, que se interessam em ler isto; e
acima de tudo que esse julgamento é mais importante para mim do que outrora era
a minha única forma de “expressão pessoal”. Esse sentimento de “não ser
suficiente” lançou uma sombra sobre todos os aspetos importantes da minha
humilde existência. Nunca em toda a minha vida duvidei tanto e tão intensamente
de todas as minhas capacidades, na verdade sempre me senti confortável na minha
pele e capaz de atingir todas as metas a que me propunha sem dificuldade… agora
não tenho coragem de colocar metas porque metas são um compromisso que à partida
não vou cumprir.
thegalleryfromoverthere.wordpress.com
Mas estou a obrigar-me a derrubar
estes muros que se construíram à minha volta, e estou a tomar mais interesse
nos temas da atualidade. Estou a tentar construir bases que aos poucos me fazem
sentir mais confiante para expor um pouco do meu intelecto, e sentir-me
novamente presunçosa das minhas qualidades jornalísticas. Afinal que tenho eu a
perder? Nunca vou conseguir agradar a toda a gente e procurar validação noutros
não se compara com a necessidade que tenho em me expressar e de ganhar a minha
voz. Vou tentar mais uma vez sair deste momento negativo e encontrar a minha
força no meio de todos os meus medos e inseguranças.
Sinto que levei um duche de
realidade e não está a ser uma experiência agradável embora seja necessária. Por
vezes passamos o tempo envoltos numa bolha dos nossos problemas e esquecemo-nos
que existe um mundo lá fora que está a desmoronar-se dia a dia. Faz-me lembrar
uma cena dum filme ou serie televisiva, em que uma pessoa positiva e alegre
descobre que o mundo afinal não é feito de arco-íris e póneis rosa; esse choque
é demasiado e a tristeza e depressão instala-se duma maneira aterradora. Vejo o
telejornal e choro piamente porque não acredito o quão egoísta tenho sido até
agora (e que ainda se nota pelo longo discurso totalmente egocêntrico) e também
porque não sei como posso contribuir para a solução de cada problema. Porque acredito
que se não somos parte da solução somos parte do problema, vejo a inércia das
pessoas e lamento que prefiram ignorar e focar-se em coisas triviais… é com
tristeza que vejo um parte do mundo em conflito por motivos políticos ou
religiosos e a outra parte olhando de longe como se fosse um filme que nunca
será a sua realidade.
www.pauldavisoncrime.com
Hoje o meu coração bate mais
forte pelos 5 bombeiros que lutam nas urgências hospitalares, pela sua bravura
no combate aos incêndios que este ano já provocaram a morte de 4 pessoas - que se
arriscaram voluntariamente e de forma altruísta para servir as suas
comunidades. E pelas pessoas que tanto perderam com este fogo que ainda flagra
intensamente, desejo que continuem com força a reconstruir as suas vidas.