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segunda-feira, 24 de março de 2014

Carta Aberta a uma Hipotética Amiga da Onça (smooth joana)

Querida hipotética,

Suponho que como segue a minha vida tão atentamente, já deve ter percebido que tenho dificuldade em dar 5 tostões por opiniões baseadas em inveja e rancor inexplicável, mas estou com uma insônia desgraçada e achei que seria divertido para quem leia esta carta e se sinta em baixo por descobrir as onças das suas vidas, meus queridos todos nós sofremos com essa praga, o melhor é relativizar e se possível decorá-la com humor.

Eu tenho consciência dos meus defeitos, sim eu sei que desconhece a palavra “consciência” – é uma vozinha na cabeça que nos massacra quando agimos mal e reconhece/insiste que somos capazes de mudar, mas isto não lhe faz falta querida é uma cruz das pessoas que têm compaixão e princípios. Tenho os meus dias, por vezes os defeitos tomam conta de mim e a consciência não me deixa dormir mas a minha educação faz de mim uma pessoa que se redime dos seus erros e volta a deitar a cabeça na almofada dormindo como um bebé.

arthur.bio.br

Chama-me princesa e mimada? Ora eu agradeço querida, todos os dias dou graças por ter a família que tenho, por ter recebido amor, mimo, o conforto e as oportunidades que me proporcionaram, não seria quem sou hoje se não fosse pelo carinho que recebi toda a minha vida. Deveria sentir-me mal porque sou amada pelos meus? Todos os dias me dói o coração ao ler o que se passa um pouco por todo o mundo, o quanto as pessoas sofrem porque ninguém se preocupa com elas ou lhes dá amor, comida ou liberdade. Sim sou uma princesa que teve como mentor um rei bondoso, carinhoso, humilde e trabalhador, um homem que dedicou a sua vida a trabalhar para proporcionar uma vida melhor á família, e quando se podia ter reformado dessas responsabilidades escolheu cuidar de mim e do meu irmão, sem pensar duas vezes e com o coração aberto. Serei eternamente grata por ter sido educada por um homem com princípios, lutador, inteligente, bem formado, correcto, que sempre acreditou na bondade dos outros por mais que a vida lhe mostrasse o contrário ele nunca desistiu de tentar trazer um bocadinho da sua luz para a vida de todas as pessoas que conhecia. Tantas qualidades e no entanto palavras nunca poderão expressar o amor que eu tenho por este herói e nunca me vou sentir culpada por ter alguém na minha vida que sempre acreditou em mim, sempre me ajudou a perceber que eu posso ser o que eu quiser mas que antes de tudo devo procurar ser feliz. E agora com toda a verdade lhe digo que lamento que não tenha tido o mesmo, tenho a certeza que seria uma pessoa muito melhor e não teria tempo para analisar os meus passos. No entanto isso não é desculpa para o veneno que corre nas suas veias minha senhora, ser bom ou mau é uma escolha, você não soube escolher e isso é triste.


Chama-me vaidosa e com a mania que sou melhor que todo o mundo. Mais uma vez obrigado, não sei porque me sentiria mal por sair de casa com o pescoço levantado e a cara lavada! Há coisas que o dinheiro não pode comprar, uma delas é o bom gosto. Sou um pouco materialista? Sem duvida que gosto das minhas coisas, mas guardo-as e estimo-as com muito carinho pois trabalhei para as pagar e sei quanto custa a vida. Eu sei que para si isto é uma coisa estranha, mas nem toda a gente esta disposta a vender “tudo” para ter dinheiro de sobra. Mais uma coisa que eu aprendi com o meu avô, quando trabalhamos e somos independentes financeiramente damos muito mais valor às coisas e principalmente às dificuldades das outras pessoas, o que consequentemente gera um sentimento de compaixão e altruísmo e não podemos descansar se não contribuimos um pouco. Engraçado não é? Eu não acho que sou melhor que ninguém, minha querida, nunca fui perfeita e já cometi muitos erros mas redimi-me e “renovei-me”; mas sinto que sou muito melhor que a senhora, isso não posso negar, mas também não é difícil sentir-nos superior quando comparados com seres humanos mesquinhos e com ar na cabeça. Pense nisso.

gossipgirlnotipotfashiteen.blogspot.com 

E sabe que mais? Não me conhece de todo, mesmo depois de tantos anos a vigiar-me, porque é certo que sou feliz com a vida que tenho mas trocava tudo num milisegundo para ter o meu avô comigo por mais uns anos, um dia só, uma hora para lhe dizer que o amo só mais uma vez. Há mais uma coisa que lhe posso ensinar o dinheiro não compra amor, e deve ser triste viver rodeado de amigos que a suportam por quererem algo de si. Lamento mesmo. Eu por outro lado era feliz a morar num casebre bem no meio da montanha, primeiro porque sempre sonhei em viver no sossego e longe de línguas afiadas; segundo o ar da montanha é bom para a saúde e visto que sou vegetariana seria econômico alimentar-me, a natureza é o melhor supermercado; terceiro e último, garanto-lhe que só precisava de um saco de batatas e uma linha de pesca para fazer um vestido que faria inveja a uma mulher insossa como você. As verdades são para se dizer não é? Eu uso qualquer trapo com confiança, seja o que for, e tenho muito brio na minha aparência, é o meu cartão-de-visita e mostra ao mundo que sou acessível e humana. Se quiser eu posso ajuda-la a ganhar um pouco de confiança nesse campo. E se gosta tanto do meu facebook dê-me a sua morada, eu mando-lhe uma foto autografada.

Atentamente,
Joana Afonseca


*Lamento que isto seja tão longo mas diverti-me imenso e levantou o meu astral hoje. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

2013



2013 foi um ano que tanto deixou por dizer que quase me dariam por MIA ou desaparecida em combate (em bom português). Agora que “acabou” já me sinto o pouco mais á vontade e com vontade de o explorar e escrutinar minuciosamente - para matar de vez essa curiosidade e os diz-que-disse-que-nada - e alimentar meu narcisismo compulsivo até á obesidade.


Quem me conhece e portanto sabe desta minha aversão a qualquer e todo o tipo de festividades, compreende a falta de posts sobre o assunto. Resumo? Todos os dias podem ser “Natal” e o facto de que de 365 em 365 dia (366 em anos bissextos) deitamos o calendário ao lixo e compramos um que começa, surpresa surpresa, por Janeiro – não é, para mim, motivo de celebração. É um facto, se vamos a celebrar todos os “factos” da vida, meu amigo, não fazíamos mais senão festejar – por mais que eu goste de festa meus queridos o que é demais enjoa. 

Mas de qualquer maneira posso dizer-vos que estes últimos 12 meses foram de factos extremamente significativos na minha curta existência, e será por isso para sempre lembrado como o pior e o maior ano da minha vidinha.  Estará lá nas estrelas junto do ano em que nasci, o longínquo e ainda brilhante ano de 1990 (podem pesquisar, ou esperem que eu vos conte); o ano em que o dador de esperma deixou de perfilar na minha infância ou o ano do “há males que vêm por bem”; o grandioso ano em que percebi finalmente porque é que existem meninos e meninas (se é que me entendem), e que “há mais marés que marinheiros”, “há mais peixe no mar” e “há muitos burros do mesmo pelo”; e infelizmente o ano em que percebi que a vida é demasiado curta para amar quem nos ama e para chorar por quem não nos merece. Este ano de 2013 poderá ser descrito como o ano em que fiquei sem chão, em que perdi a vontade de pensar, de agir, de respirar e de viver; mas principalmente o ano em que provei a mim mesma, aos que me amam e aos que me odeiam, que ainda há mundos dentro de mim por desvendar.  Num deles eu sou Xena a princesa guerreira, que se reergueu do pó do seu ser vazio e derrubou com punho de aço os seres tóxicos que poluíam a minha alma e mente, consequentemente fazendo-me sentir insignificante – e  regozijei sob a poça dos seus despojos ensanguentados, vitoriosa e mais forte do que nunca. Sim, um pouco mais negra e completamente “cacofônica” (de disfemismo), mas indiscutivelmente mais energética, criativa (quase explodindo no meu mundo de imaginação) e definitivamente feliz. Foi o ano da mudança, tanto interior como exterior, foi uma continuação da jornada começada em 2012. Uma jornada de introspecção, auto-conhecimento e iluminação, foi uma vitória. 




Mudei a cor de cabelo, emagreci 10kg, dediquei-me a mim e a meditação, yoga e thai-chi. Ri, chorei, amei e perdi. Realizei imensos projectos relacionados com moda e beleza e por isso decidi adicionar mais um passatempo á lista dos favoritos. Fiz muita coisa, o que não fiz foi partilhar aqui convosco, espero que este ano isso não se repita – mesmo que só uma pessoa se importe com o que me vai na alma já vale a pena. Quero que este seja um espaço sagrado, onde posso partilhar os meus pensamentos e ideias sobre a vida e tudo mais que me interesse. 

Agora que expeli estes demónios é de bom tom terminar numa nota mais alegre, ou seja os momentos extraordinários que vivi este ano. A união mais forte na minha pequena família deu-me a certeza que tenho os pilares da minha vida firmes e presentes para tudo, e de repente o medo de falhar não é tão grande porque sei que a minha família acredita em mim e me ama não importa o que eu faça ou seja. Depois da minha recusa em celebrar seja o que for, o mau humor costumeiro, e a aversão ao cristianismo em favor do budismo, poderia levar qualquer família á loucura – mas não a minha, e somos felizes assim. Os laços de amizade que se tornaram tão mais fortes e me seguraram nas tempestades e adversidades que enfrentei em 2013, fizeram-me acreditar que existem pessoas que valem a pena, porque nos fazem felizes e somos um pouco melhores porque os fazemos felizes também, vocês sabem que vos amo. E em continuação com o tema das amizades, a família académica também aumentou este ano transacto, com a adição das afilhadas que ficarão para sempre no meu coração, pelo carinho e a amizade que ofereceram e a confiança em mim, como a pessoa que as guiou e guiará na vida académica. E espero também, um laço que dure para toda a vida. Amo-vos minhas princesas. 




Sejam felizes e que 2014 seja o ano das vossas vida.


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Fazes-me falta

Fazes-me falta. Fazes-me tanta falta que todos os dias finjo que estás aqui. Sorrio ao pensar que, tão naturalmente que parece verdade, estás no teu quarto a fazer as flexões matinais e a seguir vais tomar o pequeno-almoço para sair e começar mais um dia de trabalho, que amas fazer. Quando começo a pensar nas saudades que me trazem as lágrimas quentes aos olhos. Afasto-as com a mentira. Estás lá fora a aparar os arbustos, a regar a relva ou a enxertar mais um limoeiro. Quando chega a noite, e me aconchego nos lençóis frios, a dor de não te ter assombra meu pobre coração. Finjo que ainda não chegaste, mas que estás perto. Finjo que ouço a chave na porta e os passos leves no outro lado da porta do meu quarto para te ires deitar. E sorrio porque esta mentira aquece-me um pouco, estás do outro lado da porta, a poucos passos e se eu quiser posso abrir e abraçar-te. E sorrio falsamente, sorrio porque não quero pensar que já não estas ali, do outro lado. Só posso sorrir porque já não aguento o peso das lágrimas.

Fazes-me falta. Fazes-me tanta falta que todos os dias permito-me, por minutos, aceitar que já não estás aqui. Choro em silêncio. Todos os dias preciso de ti e não te tenho. E nunca mais te vou ter. E a dor é insuportável. Porque todos os dias te quero, todos os dias te amo, todos os dias preciso de ti. Mais ninguém neste mundo me conforta como tu, mais ninguém neste mundo me ama como tu, mais ninguém neste mundo me conhece e me aceita como tu. Todos os dias me sinto um pouco mais só, um pouco mais perdida, um pouco mais triste e não sei como fingir que isso não é verdade. Foste e levaste uma parte de mim, e não posso fingir que não me faz sentir uma falta desmesurada. Preciso de te abraçar, de te ouvir, de me sentir a menina mais sortuda do mundo por te ter para mim. Sou mimada porque me mimaste demais. Mimaste-me com amor e conforto. Mimaste-me com palavras que me faziam sentir especial e capaz de fazer tudo, capaz de te fazer sentir orgulhoso na mulher que criaste. E todos os dias me sinto mais pequena um bocadinho, porque não pudeste ver-me cumprir “o sonho”, ver-te na plateia com um olhar ternurento enquanto recebia o diploma da universidade, que tanto lutaste para que eu o merecesse. Pergunto-me porque é que já não estás comigo, porque é que te roubaram de mim, que mal fiz eu para agora estar um pouco mais abandonada neste grande mundo que sem ti faz menos sentido.


Hoje deixo-me chorar sangue sobre as minhas palavras e sentimentos profundos. Só hoje vou permitir-me admitir que me fazes falta. Fazes-me tanta falta. E fecho os olhos e sinto a tua presença. Sei que não estás aqui fisicamente mas a tua aura nunca me abandona, e com ela eu caminho passo a passo e tento fazer-te orgulhoso da pessoa que me fizeste. Fazes-me falta mas hoje estás aqui comigo, com uma mão sobre meu ombro dizendo-me também me fazes falta mas estou aqui.


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Velhos são os trapos!

A sociedade do século XXI sofre de uma quantidade absurda de enfermidades, e por vezes é-me penoso isolar uma que consiga resumir os podres que germinam das entranhas da nossa ignorância. Os anos e a convivência com estes espécimes tão complexos, permitem-me porém sentir repulsa em me incluir no seu grupo - porque nem por um segundo me imagino a sentir e a agir como eles.

Recentemente assisti a um segmento mais “sério”, de um qualquer programa da manhã, que abordava o alarmante aumento de idosos abandonados em hospitais. E mais uma vez corriam as lágrimas pela minha face; ao ver os seus rostos embelezados pelas marcas que contam as histórias de suas peculiares das suas vidas e os relatos de como tudo terminou tão cruelmente porque os seus familiares não queriam o “incómodo” de cuidar dos seus – e sinto-me tão pequenina num mundo de monstros gigantes, que comentem estes crimes contra a comunidade. Baixo os braços perante a minha luta de entender o porquê! 


Como é que as crianças de outrora, que foram criadas no colo quente e no conforto do amor de seus pais e/ou avôs, se esquecem completamente das horas felizes que viveram apenas porque tinham um alguém que o amou e ama mais do que alguém vai amar? Sim, esquecimento, é a única justificação plausível – um vírus que afeta a memória ou um alzheimer seletivo que lhes rouba a capacidade de compaixão pelas pessoas que lhe deram a vida. Não vos vou maçar com as imensas incoerências e atrocidades que me deixam apavorada com a ideia que um ser humano pode descansar sua cabeça na almofada sabendo que uma parte de si está a definhar sozinha e triste num canto qualquer. Pois a mim nunca me faltaria vontade e tempo para me certificar que fiz tudo para dar o conforto e carinho a quem mo deu nos primórdios da minha insignificante existência. 
Para além do mais, estes jovens de olhos brilhantes são simplesmente adoráveis, seres belos que viveram coisas que nunca me passariam pela cabeça – porque por vezes esquecemo-nos que um dia eles foram jovens de tenra idade como nós, sem experiencia, cheios de vida e sonhos, com receio mas vontade de viver tal como nós. Para mim é um prazer compartilhar o sentimento que suas palavras tão calorosamente refletem – são vidas ligadas com outras vidas, e vivências com as quais podemos nos relacionar e aprender. Não entendo quem pode encontrar aqui um ponto negativo, mas isso sou eu.

Não sei se já o referi mas com tantas qualidades que o meu ídolo possuía, torna-se complicado anotar o que disse ou não disse; o meu avô, que era um jovem com muita experiência de vida, mas de uma geração muito mais retrograda que a nossa; tinha uma capacidade de aceitar todas as pessoas, por mais estranhas que fossem à sua natureza, e não sabia o que significava julgar quem simplesmente possui uma visão diferente da nossa. Até a mim que, para quem me conhece não é surpresa nenhuma, sou sempre do contra; dá-me um gostinho especial a adrenalina de provar e argumentar os meus pontos de vista, e demonstrar sempre a importância de respeitar a subjetividade de cada um. E por isso sempre me foi fácil agir assim em todos os aspetos da minha vida, porque tinha um grande exemplo do que significa ser um ser humano verdadeiramente humano – que nunca poderei copiar mas que desejo alcançar com o tempo. É plausível que essa seja a raiz da podridão que a humanidade sofre, a falta de bons modelos que as crianças – os adultos de amanhã – admirem e desejem seguir como exemplo. E agora seria o momento ideal para tirar um instante e considerar esta minha ideia e refletir-mos sobre se somos realmente o melhor que podemos ser, se queremos que os nossos filhos sigam os nossos passos, para que no futuro possam olhar para nós e dizer: tenho orgulho em ser a pessoa que sou porque assim mo ensinaste. Será que no futuro teremos um conjunto de pessoas que queiram mesmo fazer o melhor pelos seus e pelos outros e que não simplesmente o apregoem?


Apenas mais um degrau na longa escada que deveríamos subir, para que todos nós enquanto sociedade, possamos também ser o melhor que podemos ser.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Vaidades & Hipocrisias

Não é fantástico como assim que encontramos balanço espiritual todos os nossos sentidos ficam muito mais apurados? Tenho-me encontrado a ouvir mais e a falar menos, gosto do papel de observador, e as vantagens são imensas para o meu desenvolvimento cultural… Sim, também inclui o uso de um vocabulário mais rico e variado, e com um cheirinho de presunção que nunca matou ninguém. Para além disso, encontro inspiração no dia-a-dia e dou comigo a pensar e a analisar os ramos intrincados dos comportamentos e conversações triviais. É a volta ao mundo terreno e ao mesmo tempo ao recanto do meu consciente - onde me enrolo num manto de introspeção que me aquece a alma – são as pequenas coisas que me fazem feliz.

E agora que já desenvolvi demasiado sobre coisas que só interessam à minha pessoa vamos passar ao que me interessa. A querida Judite de Sousa estava hoje num programa de tarde qualquer, a falar sobre um senhor (que infelizmente não reconheci e por isso não o armazenei), e fez um curioso comentário: só as grandes mentes possuem um intelectual musculado e por isso exigem e apreciam uma discussão bem fundamentada (não são as palavras exatas mas a ideia era mais ou menos esta). Isto fez-me pensar que afinal a Judite é um bocado presunçosa (cheia de si mesma ou vaidosa) afinal de contas não é muito educado gabarmo-nos das nossas qualidades intelectuais ou outras. Já não tinha uma grande impressão da senhora e não melhorou definitivamente. Garanto-vos que conheço a minha quota de idiotas convencidos que por usarem meia dúzia de palavras cultas e decorarem dois factos interessantes sentem-se os senhores de toda a verdade! Especialmente pseudoartistas (ego explosion). E depois disse a mim mesma: que hipócrita!

Não sou uma mulher que passa o dia a aprazar-se de suas qualidades - até porque me culpo muitas vezes por tanto falar dos meus defeitos. Mas é certo que sinto uma grande satisfação quando alguém aprecia o meu trabalho ou simplesmente congratula-me pelo vestido que trajo – não somos todos um bocadinho hipócritas quando criticamos alguém por dizer a verdade quando no fundo esperamos que alguém o faça por nós? Hipócritas e falsamente humildes. Pois é, eu sou culpada desse mesmo pecado mas isso não faz de mim melhor que ninguém, faz-me humana. Eu sei que sou um bocado egocêntrica e escrevo mais para a paz da minha alma, mas o meu maior desejo é partilhar um pouco de mim e relacionar-me com quem procura as minhas palavras – eu sei que por vezes me faz falta alguém que tenha passado pelo mesmo que eu, para não me sentir tão só na minha dor. O que não desculpa ou justifica o comportamento da senhora mencionada, infelizmente tacto é uma coisa que não "não lhe assiste", passando a expressão. Mesmo assim não tenho o direito de julgar uma pessoa unicamente pela imagem que ela passa na televisão ou pelo que as pessoas dizem dela, se não damos uma oportunidade nunca vamos conhecer ninguém intimamente. Todos temos defeitos e todos nós já nos arrependemos de algo que dissemos num momento nada fiel ao nosso carácter.

Por isso não interpretem mal as minhas palavras ou a maneira como ajo naturalmente, não tenho um pingo de falsidade ou presunção, não caminho nas nuvens rodeada de ornamentos de ouro, como muitos me julgam. Não, eu dou graças por tudo o que tenho e sei que nada é garantido, não tenho pouco ou demasiado mas o que tenho trabalhei e trabalho por isso. Foi esse o legado do que o meu avô me deixou - muito amor e compaixão, e as ferramentas necessárias para ser uma mulher independente e orgulhosa de si mesma. As minhas palavras por vezes não são as mais corretas ou sequer as mais educadas mas a malicia e a inveja são por vezes intoleráveis à minha índole, não fui educada a sentir tais afeções. A felicidade é mais fácil de trabalhar que a inveja.

Pensem bem antes de julgar alguém, quem nunca pecou que atire a primeira pedra. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013


Vou fazer uma viagem espiritual (e física lol), preciso de me encontrar (parece óbvio não?) - perdi-me em pensamentos e não sei bem como me encontrar de novo. É uma necessidade e um dádiva...
Mas deixo-vos com um pensamento que me tem confortado tremendamente nos últimos dias:.0 Sou uma mulher privilegiada pela família que tenho, um irmão que olha por mim e tem o maior coração do mundo (quem sai aos seus ♥) mas é também o homenzinho mais forte e determinado que conheço (com a lágrima no olho, é o meu orgulho), se algo me falha ou os obstáculos me fazem cair, eu sei que ele é a única coisa segura. Uma mãe que me ama mais do que alguém me pode amar, e sem dúvida eu sei que ai vou ter sempre carinho e compreensão. Uma avó que deu tudo na vida por mim, mais que uma avó é uma mãe. E acima de tudo (sem pódio) um avô que foi meu pai (e isso basta) quando eu não tive um - me amou e me ensinou e cuidou de mim todos os dias. E faz-me uma falta desmedida... mostrou-me que ainda existem pessoas honestamente boas e que vale a pena dar aos outros mesmo quando não somos valorizados. Há dias em que me sinto derrotada e penso "que raio estou eu a fazer neste mundo?" mas hoje posso responder que estou aqui para ser feliz e trazer felicidade aos que mais amo neste mundo. Mais uma prova de ue não é preciso ser uma família "convencional" para sermos felizes, desde que haja muito amor e paciência tudo se resolve. E isso faz-me sorrir hoje 




terça-feira, 16 de abril de 2013

I am not there, I did not die....

“Do not stand at my grave and weep,
I am not there; I do not sleep.
I am a thousand winds that blow,
I am the diamond glints on snow,
I am the sun on ripened grain,
I am the gentle autumn rain.
When you awaken in the morning’s hush
I am the swift uplifting rush
Of quiet birds in circling flight.
I am the soft starlight at night.
Do not stand at my grave and cry,
I am not there; I did not die.”

Mary Elizabeth Frye


It feels so nice to finally feel the warm sun on my face and to enjoy the blue bright sky all day long. It is amazing, automatically the weight on my shoulders got so much easier to carry. The sun is the best remedy after all, or maybe it´s the culmination of all the wonderful things that have been happening in my life – some of which came has a nice surprise. Ultimately it doesn´t matter what or who, just that I feel good! Damn I haven´t felt good for so so long, I can´t remember the last time I was at peace like this… A good 2 years or so…. Life is funny that way.

I was, for the billion time, thinking that I am an awful person for feeling good when I know there is a person that I love that has died, obviously I can´t be happy knowing it isn´t fair that I am here happy and he isn´t. Once in a while this poem comforts me, because this is how I feel about death and how I would like for people to feel when I am gone as well. Death is just a part of life and even though the “body” isn´t here anymore, the essence or soul, lives in us and it always will. The gift my dad gave me is in everything I do and in all I am, my life has a new meaning now I know how much family means to me, and they are all I need. I should appreciate life more - life is for the living, I know that but it still hurts so much! – I know he would like for me to have a wonderful happy and fulfilled life, because he knows I love him eternally.

I just wanted to leave this poem for you today... for you to think a little about it.. sometimes we need to. 




sábado, 23 de março de 2013

Dia do Pai



ohnaooutroblog-educacaoinfancia.blogspot.com
Não quero mentir, mas seriam por volta das 1h30 do dia 19 deste mês que percebi – através das mensagens e declarações de vários amigos aos seus pais, via facebook –que era dia do pai… Sem entender o que estava a acontecer, senti as lagrimas correrem-me pela face, numa angústia desmedida senti a dor no peito que já me é tão amiga e a saudade que me consome tomou conta das minhas emoções. Como se olhasse para mim mesma, numa espécie de “out of body experience”, e comtemplei o meu corpo inerte e a expressão apática que me dançava no rosto. Como poderia ter-me esquecido? Como posso sentir isto agora e por nada? Mas por tanto tempo neutralizei os pensamentos desesperantes da tua perda, numa loucura temporária de tentar manter-me sã - quando sei que continuo e continuarei demente de dor, que tudo fora do meu controlo é agora um intruso, um mero parasita… Mas esta é uma realidade da qual não posso fugir por mais que tente, minto-me todos os dias para poder sobreviver neste mundo, mas neste dia não consegui (será o inicio de uma nova fase?)

Tenho pensado muito sobre o processo de luto, será que estou a fazer isto bem? Haverá alguma maneira de fazer isto bem? Se não, porque é que tanta gente é incompreensiva e intolerante ao meu sofrimento inadvertido? Como é suposto eu saber o que fazer? O maior medo, o mais profundo medo que me assombra desde que consigo articular pensamentos, perder um dos pilares da minha existência: é uma realidade! E é uma realidade demasiado pesada para suportar. Leva muito tempo, quase passou um ano e ainda me vêm as lagrimas aos olhos ao dizer o teu nome e levou-me um ano para passar a fase da negação e ainda estou a debater-me com a fase da dor agoniante – não não fica confortável aqui no coração e não ainda não é apenas uma boa memoria que vive em mim. Mas luto um dia de cada vez para provar que eu te amo pai, fazendo aquilo que tu sempre sonhaste para mim, lutar pelo que me faz feliz e nunca desistir mesmo que as coisas pareçam tao inalcançáveis. E sinto-me um falhanço… E sinto culpa por me sentir culpada de ser feliz…

Por vezes pergunto-me se estou a perder a minha visão neste blog e estou a transformá-lo num festival de pena, na pobre menina que tem tantos problemas e sofre tanto e não completa nenhum projecto… é um bocado triste e absurdo, por outro lado eu escrevo para mim e faço-o pura e honestamente, fiel a mim mesma e não consigo libertar o que me vai na alma de nenhuma outra forma. Se isso faz de mim uma blogger de diário então que seja. Não quero que tenham pena de mim, quero partilhar a minha experiencia e quem sabe mostrar a alguém ai do outro lado que não são os únicos no mundo a sentir isto…

www.centrovegetariano.org
Queria fazer uma homenagem linda ao meu pai, mas receio que o meu coração está demasiado pisado por esta dor que a tua falta me dá. Não consigo racionalizar o que sinto, não consigo fazer sentido do que a minha cabeça produz e só agora passou a sensação de estar paralisada mas ainda sinto os pensamentos dormentes. Se ou quando passar farei algo mais apropriado. Mesmo assim é um marco importante para mim… admitir a mim mesma que a realidade é esta. Que fingir que estás a chegar a casa, ou que estás no café e que vens mais tarde, não ajuda com as minhas ilusões do que a vida poderia ser se não tivesses partido. E isso é novo e positivo, eu creio, quem sabe o próximo passo será deixar de sentir a culpa, mas isso é muito á frente no livro. Por agora guardo a minha dor e deixo-a cansar-se no meu peito e quando estou sozinha deixo-a correr livre…

Amo-te pai com todas as forças, ainda me recordo dos presentes e poemas que que fazíamos para o dia pai na escola, e como me orgulhava de ter o pai mais inteligente e culto do mundo. Cada vez que fecho os olhos vejo o teu sorriso. Aquele sorriso cheio de amor e orgulho na sua pequena. E isso vale mais que mil palavras. Talvez não exista ninguém no mundo que me compreenda da maneira que tu compreendes pai mas pelo menos tive a sorte de me teres escolhido, para amar e cuidar, sem ti não era quem sou… Não tinhas que fazer nada por mim mas fizeste este mundo e o outro e isso nunca vai morrer… Amo-te… 

 

sábado, 13 de outubro de 2012

You Raised Me Up

Tenho andado muito afastada do blog, do mundo, de mim mesma; mas decidi deixar os meus pensamentos fluírem, desocuparem a minha cabeça e finalmente pude ver aquilo que estava mesmo à minha frente.

Por vezes estamos tão focados na nossa culpa que não conseguimos compreender que não temos razão nenhuma para a sentir. Porque a maior parte das vezes a culpa só vive dentro de nós porque a deixa-mos instalar-se lá, e as razões estavam fora do nosso controlo. Mas seja porque motivo for, deixamo-nos enterrar nessa culpa e recusamo-nos aceitar a realidade.


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Hoje encontrei uma composição que escrevi ao meu pai (fica aqui referenciado que sempre que falo no meu pai falo do meu avô, porque ele é, e sempre será, o meu único e verdadeiro pai), uma composição que tinha escrito no terceiro ano; e que dizia qualquer coisa como isto: "Recordações: À uns dias atrás, eu e o meu avô fomos à nossa casa, que está a ser restaurada, e encontramos a lousa que ele usou quando andava na escola. E ele deu-ma e disse-me: "Nunca a percas, é muito importante para mim e eu quero que aprendas com ela"".

E mal dou por mim tenho 8 anos de novo e estou sentada com o meu avô a resolver problemas de matemática na lousa que ele me deu, e ele inventava mais contas porque eu adorava resolvê-las sozinha. E sempre foi assim com tudo, sempre quis aprender depressa e mais; e ele estava sempre lá a corrigir-me e a ensinar-me, na sua velha lousa escolar. A passear pelo jardim e a aprender o nome das árvores, dos frutos e das flores. A dar-me os primeiros livros que li na vida, sobre como me preparar para a adolescência (tinhas sempre tudo pensado :P); livros que até hoje guardo religiosamente na minha estante já bem constituída.

E agora estou eu a chorar, ao contemplar a velha lousa ainda bem conservada, lembrando-me de tudo o que ele me ensinou. Como ele me criou para eu ser o melhor que eu posso ser, no futuro. E aquela raiva misturada com angústia, tornou-se numa pequena chama de saudade e recordação no meu peito, aquele sentimento de conforto numa memória boa.
Hoje pela primeira vez chorei de felicidade por ti pai, porque sempre pensei que não era o suficiente para ser amada por ninguém, e toda a tua vida deste-me e ensinas-te-me o que é: o amor incondicional.

Tantas vezes me senti só e incompreendida, mas tu tinhas um jeito de me entender e me confortar, que é inexplicável, não consigo pô-lo em palavras, porque tu não necessitavas delas. Não sei se alguma vez mo disseste, mas eu sei que tu me amaste desde o momento em que nasci, e por mais asneiras que eu fizesse e por mais difícil que eu fosse, tu nunca deixas-te de sentir amor por mim, e nunca nunca desistis-te de mim.

Tive a maior riqueza do mundo, e só me apercebi dela agora que não estás aqui. Mas o meu coração sente-se amado e eu sinto que estás sempre comigo e que um dia criarei memórias assim com a minha família, e tu nunca estarás longe. Tu ensinaste-me tudo, tu ensinas-te-me a viver! Deste-me as instruções, mas só agora compreendi.
Não existe amor maior que um pai por uma filha, e uma filha pelo melhor pai do mundo.
Ensinaste-me a não me esconder da vida, e eu vou viver pelos dois :)



There is no life - no life without its hunger;
Each restless heart beats so imperfectly;
But when you come and I am filled with wonder,
Sometimes, I think I glimpse eternity.

You raise me up, so I can stand on mountains;

You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up: To more than I can be.

Because love never dies... Each day I love you more and more, you live inside my heart forever ♥ my true and only father, my friend, my undying love....


domingo, 17 de junho de 2012

Quem sou eu?


“I never change, I simply become more myself.” Joyce Carol Oates
*“Eu nunca mudo, apenas me torno mais eu mesma”

É uma questão que me persegue desde que eu me conheço, e com certeza é o caso de muitas pessoas. Quem sou eu? Será que estou a ser fiel á minha essência ou estou apenas a tentar moldar-me á imagem da sociedade? O que está certo ou errado? Que caminho devo seguir? Quero ser original, eu mesma, ou quero tornar-me numa mancha indistinta na multidão?

Mas depois há uma altura na vida em que somos obrigados a decidir qual é o caminho que queremos seguir, ou acabamos por perder-nos na sombra da multidão que nos rodeia.  

Devo dizer-vos que não é fácil sermos nós próprios, principalmente quando aquilo que somos foge ao “normal”. As pessoas olham-nos de lado, atacam-nos anonimamente - por trás de perfis de Facebook, Messenger ou E-mail (qualquer coisa onde se possam esconder) – onde descarregam as suas frustrações em pessoas que não conhecem e ás vezes nas que conhecem - tentando deitar-nos abaixo, fazer-nos sentir estranhos, anormais, “errados”. E depois acabamos por ceder a estas pressões para sermos normais, e enfiamo-nos no nosso cantinho suprimindo tudo o que somos bem dentro de nós, esperando que ninguém repare que somos seres diferentes. Porque somos jovens, porque queremos pertencer a um grupo e não queremos estar á margem da “sociedade” que conhecemos.

E isto pode afectar-nos em todos os sentidos, e acabamos presos num círculo vicioso de fazermos exactamente tudo o que não queremos e não gostamos! Este é um momento de reflexão, para mim e para vocês. O que é que vocês querem ser? Quem é que vocês querem ser?

(…)
 
Só posso falar por mim, não é fácil tentar seguir o teu próprio caminho, principalmente se é diferente da escolha daqueles que consideras amigos. Mas há coisas que devemos lembrar-nos: quem é verdadeiramente nosso amigo vai entender e apoiar-nos, quem não o é, não necessitas dessas pessoas na tua vida! Rodear-nos de pessoas positivas é o primeiro passo.

Manter-nos fiel a nós próprios, sermos justos, humildes, mas sermos capazes de defender com toda a força as coisas em que acreditamos e nunca deixar que ninguém nos convença que estamos errados. Temos a liberdade de acreditar naquilo que queremos, e dizer aquilo que pensamos e fazer aquilo que quisermos – desde que nunca ultrapassemos a liberdade de ninguém – SOMOS LIVRES!


Tu és a chave! Sê a mudança que queres ver no mundo!
 
Tu é que decides o que queres ser, quem queres ser… O caminho para a felicidade é sempre o mais difícil, o que tem mais obstáculos, o que demora mais tempo, o que parece mais escuro e solitário. Mas quando fazes as escolhas que realmente ambicionas, acabas por encontrar o caminho certo para a serenidade e a paz interior. Mesmo que estejas sozinho, vale a pena! Não o posso garantir - eu própria estou a seguir o meu caminho “obscuro” - mas tenho esperança que melhores dias virão.

Não te deixes guiar pela raiva, pelo ciúme ou inveja ou nenhum desses sentimentos sem valor; aprende a ser humilde e a instruir-te com quem sabe e assim melhorares-te a ti mesmo, temos a vida toda para aprender! Isso é fabuloso, a oportunidade que é dada a cada um de nós!

Não julgues, não apontes o dedo, não atires pedras (todos temos telhados de vidro) – isso só traz negatividade para a tua vida.

Vive as experiências com intensidade, foca-te nas coisas que te fazem feliz porque isso é que vale a pena, e apaga esse ruido de fundo que te diz “sê normal”. Sê quem tu queres ser! Escolhe o teu caminho, mesmo que parece impossível, nada é impossível! E deixa espaço livre para as pessoas boas, as oportunidades boas e as experiências boas entrarem na tua vida, livra-te do que está a mais, do que te faz recuar, do que te impede de ver a realidade.

Mas acima de tudo ajuda o próximo, não desistas em quem nunca desiste de ti, aprende a dar valor às pessoas que te amam de verdade. E um dia vais atingir os teus objectivos, ou talvez os teus objectivos mudem no caminho – mas o que importa no fim, é ser FELIZ. Não desistas! 

E se um dia sentires-te fraquejar lembra-te pelo que estás a lutar, a vida passa demasiado depressa e quando deres por ela já está quase no fim, não percas a oportunidade de fazer o que gostas, o resto é supérfluo o que prevalece é o que fizeste de bom. 



E eu estou aqui para quem precisar de um ouvinte ou de um amigo. Sejam felizes.


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