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segunda-feira, 24 de março de 2014

Carta Aberta a uma Hipotética Amiga da Onça (smooth joana)

Querida hipotética,

Suponho que como segue a minha vida tão atentamente, já deve ter percebido que tenho dificuldade em dar 5 tostões por opiniões baseadas em inveja e rancor inexplicável, mas estou com uma insônia desgraçada e achei que seria divertido para quem leia esta carta e se sinta em baixo por descobrir as onças das suas vidas, meus queridos todos nós sofremos com essa praga, o melhor é relativizar e se possível decorá-la com humor.

Eu tenho consciência dos meus defeitos, sim eu sei que desconhece a palavra “consciência” – é uma vozinha na cabeça que nos massacra quando agimos mal e reconhece/insiste que somos capazes de mudar, mas isto não lhe faz falta querida é uma cruz das pessoas que têm compaixão e princípios. Tenho os meus dias, por vezes os defeitos tomam conta de mim e a consciência não me deixa dormir mas a minha educação faz de mim uma pessoa que se redime dos seus erros e volta a deitar a cabeça na almofada dormindo como um bebé.

arthur.bio.br

Chama-me princesa e mimada? Ora eu agradeço querida, todos os dias dou graças por ter a família que tenho, por ter recebido amor, mimo, o conforto e as oportunidades que me proporcionaram, não seria quem sou hoje se não fosse pelo carinho que recebi toda a minha vida. Deveria sentir-me mal porque sou amada pelos meus? Todos os dias me dói o coração ao ler o que se passa um pouco por todo o mundo, o quanto as pessoas sofrem porque ninguém se preocupa com elas ou lhes dá amor, comida ou liberdade. Sim sou uma princesa que teve como mentor um rei bondoso, carinhoso, humilde e trabalhador, um homem que dedicou a sua vida a trabalhar para proporcionar uma vida melhor á família, e quando se podia ter reformado dessas responsabilidades escolheu cuidar de mim e do meu irmão, sem pensar duas vezes e com o coração aberto. Serei eternamente grata por ter sido educada por um homem com princípios, lutador, inteligente, bem formado, correcto, que sempre acreditou na bondade dos outros por mais que a vida lhe mostrasse o contrário ele nunca desistiu de tentar trazer um bocadinho da sua luz para a vida de todas as pessoas que conhecia. Tantas qualidades e no entanto palavras nunca poderão expressar o amor que eu tenho por este herói e nunca me vou sentir culpada por ter alguém na minha vida que sempre acreditou em mim, sempre me ajudou a perceber que eu posso ser o que eu quiser mas que antes de tudo devo procurar ser feliz. E agora com toda a verdade lhe digo que lamento que não tenha tido o mesmo, tenho a certeza que seria uma pessoa muito melhor e não teria tempo para analisar os meus passos. No entanto isso não é desculpa para o veneno que corre nas suas veias minha senhora, ser bom ou mau é uma escolha, você não soube escolher e isso é triste.


Chama-me vaidosa e com a mania que sou melhor que todo o mundo. Mais uma vez obrigado, não sei porque me sentiria mal por sair de casa com o pescoço levantado e a cara lavada! Há coisas que o dinheiro não pode comprar, uma delas é o bom gosto. Sou um pouco materialista? Sem duvida que gosto das minhas coisas, mas guardo-as e estimo-as com muito carinho pois trabalhei para as pagar e sei quanto custa a vida. Eu sei que para si isto é uma coisa estranha, mas nem toda a gente esta disposta a vender “tudo” para ter dinheiro de sobra. Mais uma coisa que eu aprendi com o meu avô, quando trabalhamos e somos independentes financeiramente damos muito mais valor às coisas e principalmente às dificuldades das outras pessoas, o que consequentemente gera um sentimento de compaixão e altruísmo e não podemos descansar se não contribuimos um pouco. Engraçado não é? Eu não acho que sou melhor que ninguém, minha querida, nunca fui perfeita e já cometi muitos erros mas redimi-me e “renovei-me”; mas sinto que sou muito melhor que a senhora, isso não posso negar, mas também não é difícil sentir-nos superior quando comparados com seres humanos mesquinhos e com ar na cabeça. Pense nisso.

gossipgirlnotipotfashiteen.blogspot.com 

E sabe que mais? Não me conhece de todo, mesmo depois de tantos anos a vigiar-me, porque é certo que sou feliz com a vida que tenho mas trocava tudo num milisegundo para ter o meu avô comigo por mais uns anos, um dia só, uma hora para lhe dizer que o amo só mais uma vez. Há mais uma coisa que lhe posso ensinar o dinheiro não compra amor, e deve ser triste viver rodeado de amigos que a suportam por quererem algo de si. Lamento mesmo. Eu por outro lado era feliz a morar num casebre bem no meio da montanha, primeiro porque sempre sonhei em viver no sossego e longe de línguas afiadas; segundo o ar da montanha é bom para a saúde e visto que sou vegetariana seria econômico alimentar-me, a natureza é o melhor supermercado; terceiro e último, garanto-lhe que só precisava de um saco de batatas e uma linha de pesca para fazer um vestido que faria inveja a uma mulher insossa como você. As verdades são para se dizer não é? Eu uso qualquer trapo com confiança, seja o que for, e tenho muito brio na minha aparência, é o meu cartão-de-visita e mostra ao mundo que sou acessível e humana. Se quiser eu posso ajuda-la a ganhar um pouco de confiança nesse campo. E se gosta tanto do meu facebook dê-me a sua morada, eu mando-lhe uma foto autografada.

Atentamente,
Joana Afonseca


*Lamento que isto seja tão longo mas diverti-me imenso e levantou o meu astral hoje. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Fazes-me falta

Fazes-me falta. Fazes-me tanta falta que todos os dias finjo que estás aqui. Sorrio ao pensar que, tão naturalmente que parece verdade, estás no teu quarto a fazer as flexões matinais e a seguir vais tomar o pequeno-almoço para sair e começar mais um dia de trabalho, que amas fazer. Quando começo a pensar nas saudades que me trazem as lágrimas quentes aos olhos. Afasto-as com a mentira. Estás lá fora a aparar os arbustos, a regar a relva ou a enxertar mais um limoeiro. Quando chega a noite, e me aconchego nos lençóis frios, a dor de não te ter assombra meu pobre coração. Finjo que ainda não chegaste, mas que estás perto. Finjo que ouço a chave na porta e os passos leves no outro lado da porta do meu quarto para te ires deitar. E sorrio porque esta mentira aquece-me um pouco, estás do outro lado da porta, a poucos passos e se eu quiser posso abrir e abraçar-te. E sorrio falsamente, sorrio porque não quero pensar que já não estas ali, do outro lado. Só posso sorrir porque já não aguento o peso das lágrimas.

Fazes-me falta. Fazes-me tanta falta que todos os dias permito-me, por minutos, aceitar que já não estás aqui. Choro em silêncio. Todos os dias preciso de ti e não te tenho. E nunca mais te vou ter. E a dor é insuportável. Porque todos os dias te quero, todos os dias te amo, todos os dias preciso de ti. Mais ninguém neste mundo me conforta como tu, mais ninguém neste mundo me ama como tu, mais ninguém neste mundo me conhece e me aceita como tu. Todos os dias me sinto um pouco mais só, um pouco mais perdida, um pouco mais triste e não sei como fingir que isso não é verdade. Foste e levaste uma parte de mim, e não posso fingir que não me faz sentir uma falta desmesurada. Preciso de te abraçar, de te ouvir, de me sentir a menina mais sortuda do mundo por te ter para mim. Sou mimada porque me mimaste demais. Mimaste-me com amor e conforto. Mimaste-me com palavras que me faziam sentir especial e capaz de fazer tudo, capaz de te fazer sentir orgulhoso na mulher que criaste. E todos os dias me sinto mais pequena um bocadinho, porque não pudeste ver-me cumprir “o sonho”, ver-te na plateia com um olhar ternurento enquanto recebia o diploma da universidade, que tanto lutaste para que eu o merecesse. Pergunto-me porque é que já não estás comigo, porque é que te roubaram de mim, que mal fiz eu para agora estar um pouco mais abandonada neste grande mundo que sem ti faz menos sentido.


Hoje deixo-me chorar sangue sobre as minhas palavras e sentimentos profundos. Só hoje vou permitir-me admitir que me fazes falta. Fazes-me tanta falta. E fecho os olhos e sinto a tua presença. Sei que não estás aqui fisicamente mas a tua aura nunca me abandona, e com ela eu caminho passo a passo e tento fazer-te orgulhoso da pessoa que me fizeste. Fazes-me falta mas hoje estás aqui comigo, com uma mão sobre meu ombro dizendo-me também me fazes falta mas estou aqui.


terça-feira, 16 de abril de 2013

I am not there, I did not die....

“Do not stand at my grave and weep,
I am not there; I do not sleep.
I am a thousand winds that blow,
I am the diamond glints on snow,
I am the sun on ripened grain,
I am the gentle autumn rain.
When you awaken in the morning’s hush
I am the swift uplifting rush
Of quiet birds in circling flight.
I am the soft starlight at night.
Do not stand at my grave and cry,
I am not there; I did not die.”

Mary Elizabeth Frye


It feels so nice to finally feel the warm sun on my face and to enjoy the blue bright sky all day long. It is amazing, automatically the weight on my shoulders got so much easier to carry. The sun is the best remedy after all, or maybe it´s the culmination of all the wonderful things that have been happening in my life – some of which came has a nice surprise. Ultimately it doesn´t matter what or who, just that I feel good! Damn I haven´t felt good for so so long, I can´t remember the last time I was at peace like this… A good 2 years or so…. Life is funny that way.

I was, for the billion time, thinking that I am an awful person for feeling good when I know there is a person that I love that has died, obviously I can´t be happy knowing it isn´t fair that I am here happy and he isn´t. Once in a while this poem comforts me, because this is how I feel about death and how I would like for people to feel when I am gone as well. Death is just a part of life and even though the “body” isn´t here anymore, the essence or soul, lives in us and it always will. The gift my dad gave me is in everything I do and in all I am, my life has a new meaning now I know how much family means to me, and they are all I need. I should appreciate life more - life is for the living, I know that but it still hurts so much! – I know he would like for me to have a wonderful happy and fulfilled life, because he knows I love him eternally.

I just wanted to leave this poem for you today... for you to think a little about it.. sometimes we need to. 




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Ano Novo?





Ano Novo talvez, eu já comecei o meu ano novo há uns dias atrás, mas vocês já sabem que eu não sigo as tradições (Oh chatice) lol… O que eu quero escrever hoje é sobre o ano que vivi em 2012.
Posso dizer com toda a certeza que é um ano que nunca vou esquecer, vai ficar marcado em mim para sempre – e posso garantir…

O começo foi maravilhoso. Descobrir o que é amar de verdade, ser feliz completamente, viver um conto de fadas… Felicidade total.. E por isso a vida decidiu que eu deveria pagar as minhas dividas… 

Pois é, como sabem, ou não – sou Budista logo acredito que tudo na minha vida depende de mim… Paguei muito para receber esta felicidade mas por outro lado esqueci-me de muita coisa…. E o meu karma estava nas "lonas"...

Por tantos anos – desde os meus 17 – vivi presa numa mágoa e revolta sem medida, e com o passar do tempo tudo a minha volta se tornou em nevoeiro, não via mais nada… Só a minha dor e a culpa, a culpa que não era minha… O meu pai biológico tem a idade mental de uma criança de 5 anos e um dia decidiu não me ver mais, (porque lhe dava muito trabalho!) Durante anos perguntei-me se a culpa seria minha, por isso decidi descobrir; e descobri que pai é aquele que ama não aquele que nos deu um mísero espermatozóide. Essa mesma criatura, que se acha imaculada de culpa – tal qual uma criança de 5 anos que não compreende o que é ter responsabilidade pelos seus actos – continua a achar que faz parte da minha vida…. A sério, eu não devo contas a ninguém mas também não tenho nada a esconder do mundo – por mais que muita gente ache que sim – está aqui para todo o mundo ler! Para que duma vez por todas compreendas que para mim tu és só uma pessoa, e um pessoa que eu desprezo… Este assunto para mim está encerrado e a minha alma está limpa.

Mas enquanto me debatia nesta ilusão de um dia poder ter um pai que me amasse, descuidei-me e não dei valor a ninguém. É verdade, sou egoísta, sou egocêntrica e só me preocupei com a minha dor, com a minha vida. A minha família lutou tanto para me ajudar, mas eu afastei-os sempre e sempre porque nada mais me importava a não ser eu, e eu não merecia ser amada. Que idiota que eu fui. Tão egoísta tanto tempo… Perdi a noção de mim mesma, e achei que a vida me devia muito e eu é que estava em dívida…

Este ano sofri, mais do que alguma vez pensei que pudesse sofrer. Não há palavras para descrever a dor, a agonia, o desespero que se apoderou de mim quando o meu pai, o meu avô, o homem da minha vida, deixou esta dimensão (Ainda hoje não consigo dizê-lo sem chorar). Já escrevi tantas vezes sobre ele, aqui, que vocês já sabem o homem maravilhoso que ele era, e tudo o que ele me ensinou. Palavras nunca chegarão para descrever o que ele fez por mim, por amor, sem pedir nada em troca, sem obrigação – mais que meu pai, foi e continua a ser uma luz na minha vida. Uma luz que nunca se extinguirá. Só nesse momento percebi tudo o que eu tinha perdido, tanto tempo fechada numa prisão de mim mesma - e de repente caí na realidade. A queda foi mais dolorosa do que eu podia aguentar.
Seguiu-se uma nova etapa, a mais difícil de todas, vencer os meus medos, as minhas fraquezas e ser capaz de dizer adeus – e guardar a memória do meu avô, do meu anjo, com muito carinho dentro de mim.

Percebi que quase todas as pessoas na minha vida não queriam lá estar, e que no fim estava praticamente sozinha. Mas a vida é assim, eu tinha muito karma para reconstruir, e continuei como pude. O meu pilar desde esse momento até agora é o meu namorado e a minha família. Que aprendi a valorizar devidamente, e que são neste momento e para o resto da minha vida, a minha prioridade.

Com tudo isto a acontecer percebi algo muito interessante, já não me importava com o que as pessoas pensavam de mim. A vida é demasiado rápida para perder tempo a pensar no que os outros pensam de mim. E por isso comecei este blog, em honra do meu avô que sempre me incentivou a escrever – mesmo quando eu achava que não conseguia escrever uma frase com nexo – em honra do homem que me fez ser quem eu sou. Única, forte e corajosa. Eu sei que não sou o meu avô, por mais que eu admire; mas eu não quero ser igual a ninguém – eu sou eu, e é isso que o meu avô me ensinou. Por mais diferente que eu fosse, ele  sempre me amou e apoiou em tudo, por mais estranho que parecesse – assim como a minha família. Mas o meu avô era alguém especial e compreendia-me de uma maneira que mais ninguém compreende. E eu sinto a falta dele todos os dias.

Mas este ano descobri a minha vocação, a minha voz, o minha essência… Aqui tenho uma voz, tenho direito a ser tudo o que eu quero ser, aqui expresso-me da melhor maneira que consigo e sei… Muito mais importante que isso, sei que o meu avô está feliz com a pessoa que eu sou. E que por causa dele eu sou exactamente assim, e nada mais…Honesta e feliz!

Este ano vou lutar muito para curar esta doença que me assombra; para concretizar os meus sonhos – por mais impossíveis que pareçam; para lutar pela minha felicidade e dar amor a quem o merece. Nunca mais estarei só… E para finalizar vou fazer algo que queria fazer há algum tempo, mas que agora faz muito mais sentido… Depois verão…

I LOVE MY FREAKLES AND ALL MY IMPERFECTIONS

Eu gostaria muito de saber como foi o vosso ano e o que desejam que este novo ano seja :D 



sábado, 13 de outubro de 2012

You Raised Me Up

Tenho andado muito afastada do blog, do mundo, de mim mesma; mas decidi deixar os meus pensamentos fluírem, desocuparem a minha cabeça e finalmente pude ver aquilo que estava mesmo à minha frente.

Por vezes estamos tão focados na nossa culpa que não conseguimos compreender que não temos razão nenhuma para a sentir. Porque a maior parte das vezes a culpa só vive dentro de nós porque a deixa-mos instalar-se lá, e as razões estavam fora do nosso controlo. Mas seja porque motivo for, deixamo-nos enterrar nessa culpa e recusamo-nos aceitar a realidade.


source: http://services.flikie.com/view/v3/android/wallpapers/33575019

Hoje encontrei uma composição que escrevi ao meu pai (fica aqui referenciado que sempre que falo no meu pai falo do meu avô, porque ele é, e sempre será, o meu único e verdadeiro pai), uma composição que tinha escrito no terceiro ano; e que dizia qualquer coisa como isto: "Recordações: À uns dias atrás, eu e o meu avô fomos à nossa casa, que está a ser restaurada, e encontramos a lousa que ele usou quando andava na escola. E ele deu-ma e disse-me: "Nunca a percas, é muito importante para mim e eu quero que aprendas com ela"".

E mal dou por mim tenho 8 anos de novo e estou sentada com o meu avô a resolver problemas de matemática na lousa que ele me deu, e ele inventava mais contas porque eu adorava resolvê-las sozinha. E sempre foi assim com tudo, sempre quis aprender depressa e mais; e ele estava sempre lá a corrigir-me e a ensinar-me, na sua velha lousa escolar. A passear pelo jardim e a aprender o nome das árvores, dos frutos e das flores. A dar-me os primeiros livros que li na vida, sobre como me preparar para a adolescência (tinhas sempre tudo pensado :P); livros que até hoje guardo religiosamente na minha estante já bem constituída.

E agora estou eu a chorar, ao contemplar a velha lousa ainda bem conservada, lembrando-me de tudo o que ele me ensinou. Como ele me criou para eu ser o melhor que eu posso ser, no futuro. E aquela raiva misturada com angústia, tornou-se numa pequena chama de saudade e recordação no meu peito, aquele sentimento de conforto numa memória boa.
Hoje pela primeira vez chorei de felicidade por ti pai, porque sempre pensei que não era o suficiente para ser amada por ninguém, e toda a tua vida deste-me e ensinas-te-me o que é: o amor incondicional.

Tantas vezes me senti só e incompreendida, mas tu tinhas um jeito de me entender e me confortar, que é inexplicável, não consigo pô-lo em palavras, porque tu não necessitavas delas. Não sei se alguma vez mo disseste, mas eu sei que tu me amaste desde o momento em que nasci, e por mais asneiras que eu fizesse e por mais difícil que eu fosse, tu nunca deixas-te de sentir amor por mim, e nunca nunca desistis-te de mim.

Tive a maior riqueza do mundo, e só me apercebi dela agora que não estás aqui. Mas o meu coração sente-se amado e eu sinto que estás sempre comigo e que um dia criarei memórias assim com a minha família, e tu nunca estarás longe. Tu ensinaste-me tudo, tu ensinas-te-me a viver! Deste-me as instruções, mas só agora compreendi.
Não existe amor maior que um pai por uma filha, e uma filha pelo melhor pai do mundo.
Ensinaste-me a não me esconder da vida, e eu vou viver pelos dois :)



There is no life - no life without its hunger;
Each restless heart beats so imperfectly;
But when you come and I am filled with wonder,
Sometimes, I think I glimpse eternity.

You raise me up, so I can stand on mountains;

You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up: To more than I can be.

Because love never dies... Each day I love you more and more, you live inside my heart forever ♥ my true and only father, my friend, my undying love....


domingo, 8 de julho de 2012

Pressão social


“Só seremos felizes quando percebermos quais são os ingredientes essenciais para a felicidade: gostos simples, um pouco de coragem, paciência, sentir amor por tudo o que fazemos e ter a consciência limpa” George Sand

A adolescência é um período difícil na vida de todos nós, ou quase todos nós, a dificuldade de integrar-se e compreender as mudanças que estão a ocorrer – este pensamento surgiu-me enquanto terminava um trabalho para a faculdade - acredito que é um assunto importante e muitas vezes ignorado. A dificuldade principal é que, enquanto adultos achamos que os problemas dos adolescentes são demasiado insignificantes comparados com os que temos que lidar. E para os adolescentes a sua relevância é essencial no processo de crescimento - pode moldar as suas personalidades e em última instância mudar o rumo das suas vidas.
 
http://www.savagechickens.com/images/chickendeathpeer.jpg
São muitos os dramas que assombram a vida de um adolescente: as mudanças físicas e psicológicas, perceber que já não são crianças (e que têm que começar a avançar sozinhos), o sentimento constante que ninguém os compreende porque são completamente diferentes dos seus colegas e finalmente a imperativa necessidade de ser “normal”. Seja por uma obsessão pessoal ou por a chamada pressão social, a maioria dos adolescentes faria e faz os impossíveis para pertencer a um “grupo”.

Podemos ver a face positiva da moeda, porque é saudável ter um grupo de amigos e fazer actividades normais para um adolescente – estudar, sair, conversar sobre os problemas e estar bem integrado. Mas nem sempre a “normalidade” é uma coisa boa. O desejo por ser popular, elegante (usar as melhores marcas) ou encontrar o namorado perfeito, é uma pressão desmedida para ser “normal” e sentir-se integrado que acaba por levar alguns jovens a tomar atitudes excessivas, e por vezes perigosas.

Estas por vezes traduzem-se em imitar outros: vestir-se, agir, ser como outros – os que admiramos tanto. Isto pode não parecer demasiado “perigoso” – assumir outra personalidade, suprimir a nossa essência e viver uma mentira; sim, pode facilmente ser revertido no futuro. No entanto as consequências na saúde podem ter um final um pouco mais preocupante: anorexia, bulimia, depressão etc são doenças a que os jovens nestas situações, se encontram especialmente susceptíveis. Tudo na busca incessante por sentirem-se integrados, sentirem-se normais. Claro que terapia pode ajudar a resolver esses problemas mas são demasiados os casos em que ajuda chega tarde demais, porque ninguém se incomodou com os problemas de um adolescente. Se não afectar para sempre somente as suas vidas, as suas personalidades e as decisões que tomam – podem inevitavelmente levar ao pior dos cenários: suicídio. Tudo isto pode parecer extremamente pessimista, mas é a dura realidade. São adolescentes, mas serão o nosso futuro, temos que proteger o futuro.

http://abundantmichael.com/blog/index.cfm/2011/12/16/Peer-pressure-and-freedom


O meu ponto de vista é “educação” – porque uma boa educação é a base para um adolescente confiante e seguro de si mesmo. Isso não significa que são todos maus pais – a questão é que educar não é só satisfazer todos os desejos das crianças e ensiná-las a ouvir um não – a aprender o que é certo e o que é errado. Para que quando chegue a adolescência sejam capazes de lidar com a pressão e ser felizes – saber o que é certo para eles e o que é errado. A adolescência é uma fase delicada, é uma fase de aprendizagem, de construção de carácter – e se não lhes for dada a devida atenção e compreensão poderão não saber como agir e ser influenciados pelas pessoas erradas.

http://wonderfactory.org/2009/07/13/peer-pressure/

Nem todos os adolescentes ambicionam a “popularidade” – ou porque já encontraram o seu lugar ou porque são confiantes o suficiente para saber que os seus pares são demasiado imaturos para aceitar a diferença. E conseguem ultrapassar esta fase de uma maneira saudável e acima de tudo aprender com as experiências. E para aqueles que sucumbiram a pressão nunca é tarde para parar e pensar - basta um pouco de força de vontade e bons conselhos de quem já viveu um pouco mais que nós - para encontrar finalmente o caminho certo.
 

Não é fácil resistir às tentações enquanto somos adolescentes, e por vezes somos apanhados numa cadeia de acontecimentos que não poderíamos prever, e da qual parece impossível sair. Mas quando encontrarmos os ingredientes certos para a felicidade significa que estamos a crescer, que aprendemos. Basta escolher o caminho que é certo para nós e não ir por o caminho de outra pessoa.

Sigam os vossos corações….

sábado, 30 de junho de 2012

Reflectindo ao som da chuva…


Com certeza que este pensamento ocorre a 6 biliões de pessoas no mundo! Pelo menos uma vez na vida! E com certeza que metade delas já escreveu sobre isso! Por vezes dizem “Oh escreves coisas que já toda a gente sabe” – bem eu não tenho intenções de copiar ninguém, nunca o fiz, se os meus pensamentos coincidem com os vossos ou de alguém muito mais culto que eu, que posso eu fazer? Reprimir o que me vai na alma? Visto que ninguém é obrigado a ler nada do que eu escrevo e eu sou livre de escrever o que bem me apetecer ai está….

Uma das coisas mais maravilhosas deste tempo “anormal” é que temos a possibilidade de estar deitados, numa noite como esta - a tentar adormecer á cerca de duas horas - e de repente ouvir aquelas bátegas de chuva.

Aquelas pesarosas bátegas de água pura. Sim, por vezes são demasiado pesadas na minha alma, e percorrem os sítios do meu íntimo que eu não queria percorrer – e fazem-me libertar rios de culpa, culpa que não é minha…. E assusta-me ver tão claramente as coisas, as coisas que me prendem… E murcho. Mas ultimamente sinto que algo mudou em mim, não vou aborrecer ninguém com os pormenores porque a minha vida é de facto aborrecida. ;) 

Source: http://black-street-white.blogspot.pt/

Agora estou aqui deitada, são 3 da manhã e ouço as lágrimas a baterem-me á janela, mas elas já não “beat me down” – já não me tiram a esperança. Ouço-as e abro a janela, e respiro o ar frio e húmido - e sorrio, e rio como uma louca. Às vezes incomodamo-nos com as coisas mais insignificantes como molhar o cabelo com um pouco de chuva – ou perder alguém que pensávamos ser nosso amigo – e é tudo tão ESTÚPIDO. Para quê? Temos a chuva! A chuva é revigorante! Limpa a alma e faz bem ao coração. “Depois da tempestade vem a bonança!” (Ou algo assim).

Eu não gostei nem um bocadinho da maldita tempestade mas agora estou tão limpa que quase quase me sinto uma folha branca pronta a ser escrita de novo – se bem que há coisas que nunca podem ser apagadas - como amor enorme que sinto dentro de mim por quem me ama e me respeita, e me apoia em todos os momentos.

Estavam a chegar as 3 da manhã, e eu não conseguia dormir. Não conseguia dormir porque estava demasiado excitada a pensar no que me reserva o amanhã, e tive medo… Mas a chuva cai lá fora e refresca os solos, e fortalece as plantas e limpa a sujidade. E eu senti-me corajosa e forte:D e ri-me como uma louca e agarrei os dedos dos pés com as mãos, como se fosse um bebé e senti-me genuinamente feliz – é a melhor sensação do mundo….

 Source:http://lynndove.wordpress.com/2011/07/20/baby-feet/


Aproveitem os pequenos momentos preciosos da vida, a felicidade é um bem tão precioso como a água que escorre do céu, e por vezes esquecemo-nos de como regá-la e tratá-la para que ela se mantenha para sempre viva em nós. Nos bons e maus momentos….

Só queria partilhar este momento com vocês, os que se importam com as minhas divagações infindáveis….

  

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A criança em mim…


Hoje é dia mundial da criança e isso faz-me ter boas recordações; memórias de tempos aparentemente fáceis, sem preocupações de grande valor; uma infância cheia de amor e boa educação (como só se poderia esperar). Mas depois penso naquilo que eu não tive na minha infância, uma única coisa insignificante, que acabou por ter repercussões inimagináveis para mim naquela altura, quando tinha só 4 anos.


Neste dia celebra-se a criança, fala-se da sua importância (são o nosso futuro afinal!), da sua inocência, da sua ingenuidade e da necessidade de as amar e proteger. Mas nem todas as crianças têm essa benesse, nem todas as famílias ou mães/pais têm a capacidade e ás vezes a vontade de cuidar do seu bem mais precioso, do sangue do seu sangue. E aí tudo muda, e a criança deixa de ser criança e passa a ser um adulto marcado, a ferros, com os erros de outrem.


Doí-me a alma quando ouço histórias de crianças abandonadas pelo pai, pela mãe; abusadas pelo padrasto ou pelo tio; exploradas pela família; obrigadas a prostituir-se e tantas outras coisas mais – que me dão um nó na garganta só de pensar. Ver o sofrimento de um filho, estampado no seu rosto - devido a anos de abandono e perguntas sem resposta – e um pai consegue continuar a viver a sua vida como se tivesse devolvido um item com defeito, dá-me vómitos!

Sofro quando eles sofrem porque também o senti e sinto na pele. Mas penso que tive a sorte de ter alguém que substituiu esse buraco no meu coração, e que apesar de agora já não estar presente, eu sinto-o a olhar por mim, constantemente. E não podia estar mais agradecida por essa dádiva. Pois muitas destas crianças ficam sem ninguém no mundo, são totalmente abandonadas, e isso faz-me mal. Quem me dera poder estar lá para lhes dizer que um dia tudo vai ficar bem, porque fica, mas demora. Oh como eu queria voltar atrás e olhar para mim em criança, e dizer-me “Aguenta mais um pouco! Ama-te a ti mesma!”; se eu pudesse assim faria, agora só me resta dizer-vos a vós, para que não nos esqueçamos que as crianças um dia serão adultos, devemos tratá-las com respeito e não com indiferença.

A minha mensagem no dia de hoje é: não celebrem as crianças felizes, ajudem as crianças abandonadas e maltratadas e que precisam tanto da mão de alguém…             

O meu pensamento hoje vai para essas crianças que sofrem todos os dias seja porque motivo for (porque são demasiado pequenas para merecerem tais castigos) e para todos os adultos que têm uma criança que sofre constantemente, guardada bem no fundo de si mesmos…

O meu pensamento hoje vai para essas crianças que sofrem todos os dias seja porque motivo for (porque são demasiado pequenas para merecerem tais castigos) e para todos os adultos que têm uma criança que sofre constantemente, guardada bem no fundo de si mesmos…


A foto é minha por isso a sua cópia ou uso é ilegal. Por favor não roubem o meu trabalho.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Meu Herói


Todos nós temos um herói, um ídolo, alguém que admiramos tanto ao ponto de querermos ser como eles. Eu também já tive os meus ídolos, e hoje dia também os tenho, pessoas que me inspiram a ser uma versão melhor de mim mesma.
Isso para mim é um herói, alguém que faz ou fez coisas tão incríveis na sua vida que me inspiram a melhorar-me, a ser alguém de quem me posso orgulhar, a ser alguém de quem possam ter orgulho.

E hoje queria dizer algumas palavras sobre o meu herói, o melhor homem que eu conheci até hoje. O meu avô….
Ainda e tão difícil articular aquilo que sinto em relação a tudo o que se passou, a tudo o que se passa dentro de mim e comigo. Mas hoje senti a vontade de tentar pela primeira vez fazer uma pequena homenagem ao homem que me criou, ao homem da minha vida.

É a pessoa que mais me inspirou a escrever e que sempre acreditou em mim, mesmo quando eu não acreditei. Desde o primeiro momento que pegou em mim. Nunca desistiu de me mostrar que o mundo pode ser terrível, pode tentar deitar-nos abaixo de muitas maneiras mas que não podemos desistir, não podemos deixar-nos vencer - porque o mundo tem coisas maravilhosas, coisas que me ensinou a estimar. Ensinou-me a generosidade, a honestidade, a amizade, a verdade, a justiça, a igualdade, o orgulho e acima de tudo o amor incondicional. Um amor que vai para além de tudo, porque foi isso que fizeste por mim: deste-me tudo, mais que uma casa e comida deste-me valores, e isso não tem preço.

Não há palavras suficientes para explicar o que fizeste por mim ou o que eu não tive tempo para te dizer, para te agradecer. Não há palavras suficientes para fazer justiça ao homem que foste e que sempre serás, no coração das pessoas que marcaste ao longo da tua vida.  

Dói muito pensar que não estás ali ao lado á espera de me abraçar quando eu preciso, e eu preciso tanto. Sinto a tua falta todos os dias e todos os dias sonho com o momento em que vou conseguir ser a pessoa que sempre quis ser, uma pessoa de quem te podes orgulhar (onde quer que estejas).
E de repente lembro-me, tu amas-me e tu não te importas com aquilo que eu sou porque sabes que me deste as ferramentas certas para eu ser alguém com bom coração, alguém honesto e verdadeiro; e é só isso que tu querias de mim. Mas em tudo o que eu faço, e em tudo o que farei na minha vida vou sempre lembrar-me de ti e das coisas que me ensinas-te. Vou fazê-las para mim e para ti.

Espero que um dia te possa fazer a homenagem que mereces, mas por hoje fica aqui um grande AMO-TE, um AMO-TE com saudade.



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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Confissões de uma "Pseudo-Escritora"

Sinto que chegou a hora de ser sincera, por tanto tempo escondi-me atrás de máscaras de felicidade e de palavras pré-produzidas que confortavam as pessoas – por tanto tempo que me esqueci da minha verdadeira essência. E agora parece que algo “quebrou” em mim e não sinto a necessidade de agradar ninguém com as minhas palavras, e não o voltarei a fazer. Vou clarificar algo: não acho que tenha um grande dom, mas uma vez que tenho aqui um canal aberto e que sou livre de dizer o que penso, vou pegar na minha “liberdade da palavra” e usá-la a meu bem parecer. Não peço que gostem ou que concordem apenas que respeitem.

Nos últimos tempos tenho pensado muito e sobre várias coisas, e por vezes toco num dos pontos mais sensíveis do meu íntimo: “Quem sou eu?” - uma questão que me assustava no passado, porque não sabia e não queria descobrir … Não tenho medo agora e já sei a resposta, e a resposta é “Não sei e não faz mal” ainda tenho tempo e estou desejosa de experimentar a vida. A questão que mais me importa é que me mantenha fiel a mim mesma, e por muito tempo não o fiz. Quero recuperar a minha essência e isto para mim é um começo, um começo honesto... Daí esta confissão!

Não vou aceitar pressões ou criticas ao meu estilo e as minhas escolhas de vida, vou continuar esta jornada de descobrimento de mim mesma, e por enquanto vou escrevendo o que sinto, o que penso, o que sonho até… 

Tenho a consciência limpa, tenho o coração leve e a alma transparente...
Não sou falsa, não minto e não finjo...
Estou aqui, estou livre e estou feliz…




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