sábado, 23 de março de 2013

Dia do Pai



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Não quero mentir, mas seriam por volta das 1h30 do dia 19 deste mês que percebi – através das mensagens e declarações de vários amigos aos seus pais, via facebook –que era dia do pai… Sem entender o que estava a acontecer, senti as lagrimas correrem-me pela face, numa angústia desmedida senti a dor no peito que já me é tão amiga e a saudade que me consome tomou conta das minhas emoções. Como se olhasse para mim mesma, numa espécie de “out of body experience”, e comtemplei o meu corpo inerte e a expressão apática que me dançava no rosto. Como poderia ter-me esquecido? Como posso sentir isto agora e por nada? Mas por tanto tempo neutralizei os pensamentos desesperantes da tua perda, numa loucura temporária de tentar manter-me sã - quando sei que continuo e continuarei demente de dor, que tudo fora do meu controlo é agora um intruso, um mero parasita… Mas esta é uma realidade da qual não posso fugir por mais que tente, minto-me todos os dias para poder sobreviver neste mundo, mas neste dia não consegui (será o inicio de uma nova fase?)

Tenho pensado muito sobre o processo de luto, será que estou a fazer isto bem? Haverá alguma maneira de fazer isto bem? Se não, porque é que tanta gente é incompreensiva e intolerante ao meu sofrimento inadvertido? Como é suposto eu saber o que fazer? O maior medo, o mais profundo medo que me assombra desde que consigo articular pensamentos, perder um dos pilares da minha existência: é uma realidade! E é uma realidade demasiado pesada para suportar. Leva muito tempo, quase passou um ano e ainda me vêm as lagrimas aos olhos ao dizer o teu nome e levou-me um ano para passar a fase da negação e ainda estou a debater-me com a fase da dor agoniante – não não fica confortável aqui no coração e não ainda não é apenas uma boa memoria que vive em mim. Mas luto um dia de cada vez para provar que eu te amo pai, fazendo aquilo que tu sempre sonhaste para mim, lutar pelo que me faz feliz e nunca desistir mesmo que as coisas pareçam tao inalcançáveis. E sinto-me um falhanço… E sinto culpa por me sentir culpada de ser feliz…

Por vezes pergunto-me se estou a perder a minha visão neste blog e estou a transformá-lo num festival de pena, na pobre menina que tem tantos problemas e sofre tanto e não completa nenhum projecto… é um bocado triste e absurdo, por outro lado eu escrevo para mim e faço-o pura e honestamente, fiel a mim mesma e não consigo libertar o que me vai na alma de nenhuma outra forma. Se isso faz de mim uma blogger de diário então que seja. Não quero que tenham pena de mim, quero partilhar a minha experiencia e quem sabe mostrar a alguém ai do outro lado que não são os únicos no mundo a sentir isto…

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Queria fazer uma homenagem linda ao meu pai, mas receio que o meu coração está demasiado pisado por esta dor que a tua falta me dá. Não consigo racionalizar o que sinto, não consigo fazer sentido do que a minha cabeça produz e só agora passou a sensação de estar paralisada mas ainda sinto os pensamentos dormentes. Se ou quando passar farei algo mais apropriado. Mesmo assim é um marco importante para mim… admitir a mim mesma que a realidade é esta. Que fingir que estás a chegar a casa, ou que estás no café e que vens mais tarde, não ajuda com as minhas ilusões do que a vida poderia ser se não tivesses partido. E isso é novo e positivo, eu creio, quem sabe o próximo passo será deixar de sentir a culpa, mas isso é muito á frente no livro. Por agora guardo a minha dor e deixo-a cansar-se no meu peito e quando estou sozinha deixo-a correr livre…

Amo-te pai com todas as forças, ainda me recordo dos presentes e poemas que que fazíamos para o dia pai na escola, e como me orgulhava de ter o pai mais inteligente e culto do mundo. Cada vez que fecho os olhos vejo o teu sorriso. Aquele sorriso cheio de amor e orgulho na sua pequena. E isso vale mais que mil palavras. Talvez não exista ninguém no mundo que me compreenda da maneira que tu compreendes pai mas pelo menos tive a sorte de me teres escolhido, para amar e cuidar, sem ti não era quem sou… Não tinhas que fazer nada por mim mas fizeste este mundo e o outro e isso nunca vai morrer… Amo-te…