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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Portugal, Deprimente!

É com os olhos virgens de uma sonhadora que “amando”, esperançosamente, uns olhares esguios ao noticiário da TVI enquanto depenico nos resquícios do meu salmão grelhado – e dou por mim a rir tão incontrolavelmente que juraria ser milagre não me ter engasgado com uma espinha – para mim uma tragédia por dia é suficiente! O meu desdém pela comunicação social nacional já se demonstra bastante agravado, mas a cada dia a barra de qualidade atinge níveis extraordinários de inutilidade, estupidez e ridículo. É ridículo a quantidade de areia que tentam atirar-nos aos olhos - e o povo gosta! Que se pode fazer?

Quase que dou um “passe” aos comentários idióticos sobre a peça “Iowa legaliza a venda de armas de fogo a deficientes visuais” – porque é uma realidade aparte do resto do comum dos mortais, e claro porque nosotros (a.k.a. ocidente) comemos cultura norte americana às toneladas (see what I did there?), hmm melhor que caracóis não é? Olhem a lógica ocidental: Já que damos armas aos putos, que ainda não saíram do armário, e vai daí um dia apetece-lhes dar um tiro na testa do professor; porque não dar uma espingarda a uma pessoa que não consegue ver? O que é o pior que pode acontecer? Confundir a namorada com um assaltante e depois - porque claro que ninguém no seu juízo perfeito vai condenar este individuo – acabamos com uma jovem assassinada e um culpado que sai impune! E é este tipo de comportamento que estamos a gravar nas mentes influenciáveis das crianças, que no futuro vão matar a mãe porque esta não lhe comprou o novo jogo da playstation (ou o que quer que seja que os miúdos gostam hoje em dia, quem sabe?). A minha repulsa por tudo “americano” podia ter aumentado mas já estou imune, já nada me impressiona dali. E rio muito e honestamente, porque tristezas não pagam dividas e se não somos capazes de nos rir de nós próprios (e por “nós” digo sociedade), bem, nem vale a pena rir de nada!

Mas fico possessa quando de seguida dedicam um segmento, de 10 minutos à vontade, ao aperto de mão que o cristianinho deu a outro qualquer jogador – e que aparentemente deve ser algo raro no país ao lado - porque não vejo outra explicação para tanto alarido. E para acabar os dez minutos em beleza, as imagens mais “frescas” de um outro jogador que foi para não sei onde e que, preparem os vossos corações, terá problemas em adaptar-se à nova cultura e aposentos. Pobre rapaz deve ser mesmo chato largar as saias da mamã para ganhar mais uns míseros biliões. Estou mesmo preocupada com esta questão tão mais importante do que os idiotas dos americanos a oferecer bombas a literalmente qualquer pessoa que as quiser! Mais meus amigos, só em 2 ou 3 estados é que são obrigatórios exames visuais antes de obter a licença de posse de arma! O que significa que nem é preciso fazer testes para, sei lá, avaliar a capacidade mental necessária para saber distinguir quando usar uma arma, ou melhor, quando não a usar (que na minha opinião deveria ser 99% das vezes)! Como podem confirmar no vídeo, a licença até pode ser obtida na internet! Deus como é que é possível que a burrice desta “Nação” não esteja sob a nossa lupa todos os segundos de todos os dias?


Outras notícias de grande interesse nacional? O Passos Coelho inaugurou uma escola, e os professores de EVT estão no desemprego! Só eu vejo a ironia? A ignorância deve ser uma bênção! E mais areia para os olhos de todos nós. Fizeram a autópsia ao cadáver da criança que foi negligenciada pelo pai, mas que provavelmente foi só esquecimento por isso vai passar uma noite num quarto financiado pelo estado e amanha já nem se lembra disto. Uma pobre toureira está nos cuidados intensivos e o diagnóstico é reservado. Mais uma vez, sofro imenso por mais esta pessoa que ficou ferida ao incitar um animal inocente a, literalmente, atacá-la com o único propósito de entreter o povo num ritual de matança público – que lamento imenso queridos apreciadores, mais vale chamar: um regresso ao degradante espetáculo de gladiadores ao estilo do império romano. Só falta um idiota envolto num lençol a gritar “soltem as bestas”!


Hoje sinto-me uma velhota que vive na montanha e só sabe reclamar sobre o governo!

 E mais um tesourinho deprimente no capitulo da História de Portugal!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Velhos são os trapos!

A sociedade do século XXI sofre de uma quantidade absurda de enfermidades, e por vezes é-me penoso isolar uma que consiga resumir os podres que germinam das entranhas da nossa ignorância. Os anos e a convivência com estes espécimes tão complexos, permitem-me porém sentir repulsa em me incluir no seu grupo - porque nem por um segundo me imagino a sentir e a agir como eles.

Recentemente assisti a um segmento mais “sério”, de um qualquer programa da manhã, que abordava o alarmante aumento de idosos abandonados em hospitais. E mais uma vez corriam as lágrimas pela minha face; ao ver os seus rostos embelezados pelas marcas que contam as histórias de suas peculiares das suas vidas e os relatos de como tudo terminou tão cruelmente porque os seus familiares não queriam o “incómodo” de cuidar dos seus – e sinto-me tão pequenina num mundo de monstros gigantes, que comentem estes crimes contra a comunidade. Baixo os braços perante a minha luta de entender o porquê! 


Como é que as crianças de outrora, que foram criadas no colo quente e no conforto do amor de seus pais e/ou avôs, se esquecem completamente das horas felizes que viveram apenas porque tinham um alguém que o amou e ama mais do que alguém vai amar? Sim, esquecimento, é a única justificação plausível – um vírus que afeta a memória ou um alzheimer seletivo que lhes rouba a capacidade de compaixão pelas pessoas que lhe deram a vida. Não vos vou maçar com as imensas incoerências e atrocidades que me deixam apavorada com a ideia que um ser humano pode descansar sua cabeça na almofada sabendo que uma parte de si está a definhar sozinha e triste num canto qualquer. Pois a mim nunca me faltaria vontade e tempo para me certificar que fiz tudo para dar o conforto e carinho a quem mo deu nos primórdios da minha insignificante existência. 
Para além do mais, estes jovens de olhos brilhantes são simplesmente adoráveis, seres belos que viveram coisas que nunca me passariam pela cabeça – porque por vezes esquecemo-nos que um dia eles foram jovens de tenra idade como nós, sem experiencia, cheios de vida e sonhos, com receio mas vontade de viver tal como nós. Para mim é um prazer compartilhar o sentimento que suas palavras tão calorosamente refletem – são vidas ligadas com outras vidas, e vivências com as quais podemos nos relacionar e aprender. Não entendo quem pode encontrar aqui um ponto negativo, mas isso sou eu.

Não sei se já o referi mas com tantas qualidades que o meu ídolo possuía, torna-se complicado anotar o que disse ou não disse; o meu avô, que era um jovem com muita experiência de vida, mas de uma geração muito mais retrograda que a nossa; tinha uma capacidade de aceitar todas as pessoas, por mais estranhas que fossem à sua natureza, e não sabia o que significava julgar quem simplesmente possui uma visão diferente da nossa. Até a mim que, para quem me conhece não é surpresa nenhuma, sou sempre do contra; dá-me um gostinho especial a adrenalina de provar e argumentar os meus pontos de vista, e demonstrar sempre a importância de respeitar a subjetividade de cada um. E por isso sempre me foi fácil agir assim em todos os aspetos da minha vida, porque tinha um grande exemplo do que significa ser um ser humano verdadeiramente humano – que nunca poderei copiar mas que desejo alcançar com o tempo. É plausível que essa seja a raiz da podridão que a humanidade sofre, a falta de bons modelos que as crianças – os adultos de amanhã – admirem e desejem seguir como exemplo. E agora seria o momento ideal para tirar um instante e considerar esta minha ideia e refletir-mos sobre se somos realmente o melhor que podemos ser, se queremos que os nossos filhos sigam os nossos passos, para que no futuro possam olhar para nós e dizer: tenho orgulho em ser a pessoa que sou porque assim mo ensinaste. Será que no futuro teremos um conjunto de pessoas que queiram mesmo fazer o melhor pelos seus e pelos outros e que não simplesmente o apregoem?


Apenas mais um degrau na longa escada que deveríamos subir, para que todos nós enquanto sociedade, possamos também ser o melhor que podemos ser.