terça-feira, 3 de setembro de 2013

Vaidades & Hipocrisias

Não é fantástico como assim que encontramos balanço espiritual todos os nossos sentidos ficam muito mais apurados? Tenho-me encontrado a ouvir mais e a falar menos, gosto do papel de observador, e as vantagens são imensas para o meu desenvolvimento cultural… Sim, também inclui o uso de um vocabulário mais rico e variado, e com um cheirinho de presunção que nunca matou ninguém. Para além disso, encontro inspiração no dia-a-dia e dou comigo a pensar e a analisar os ramos intrincados dos comportamentos e conversações triviais. É a volta ao mundo terreno e ao mesmo tempo ao recanto do meu consciente - onde me enrolo num manto de introspeção que me aquece a alma – são as pequenas coisas que me fazem feliz.

E agora que já desenvolvi demasiado sobre coisas que só interessam à minha pessoa vamos passar ao que me interessa. A querida Judite de Sousa estava hoje num programa de tarde qualquer, a falar sobre um senhor (que infelizmente não reconheci e por isso não o armazenei), e fez um curioso comentário: só as grandes mentes possuem um intelectual musculado e por isso exigem e apreciam uma discussão bem fundamentada (não são as palavras exatas mas a ideia era mais ou menos esta). Isto fez-me pensar que afinal a Judite é um bocado presunçosa (cheia de si mesma ou vaidosa) afinal de contas não é muito educado gabarmo-nos das nossas qualidades intelectuais ou outras. Já não tinha uma grande impressão da senhora e não melhorou definitivamente. Garanto-vos que conheço a minha quota de idiotas convencidos que por usarem meia dúzia de palavras cultas e decorarem dois factos interessantes sentem-se os senhores de toda a verdade! Especialmente pseudoartistas (ego explosion). E depois disse a mim mesma: que hipócrita!

Não sou uma mulher que passa o dia a aprazar-se de suas qualidades - até porque me culpo muitas vezes por tanto falar dos meus defeitos. Mas é certo que sinto uma grande satisfação quando alguém aprecia o meu trabalho ou simplesmente congratula-me pelo vestido que trajo – não somos todos um bocadinho hipócritas quando criticamos alguém por dizer a verdade quando no fundo esperamos que alguém o faça por nós? Hipócritas e falsamente humildes. Pois é, eu sou culpada desse mesmo pecado mas isso não faz de mim melhor que ninguém, faz-me humana. Eu sei que sou um bocado egocêntrica e escrevo mais para a paz da minha alma, mas o meu maior desejo é partilhar um pouco de mim e relacionar-me com quem procura as minhas palavras – eu sei que por vezes me faz falta alguém que tenha passado pelo mesmo que eu, para não me sentir tão só na minha dor. O que não desculpa ou justifica o comportamento da senhora mencionada, infelizmente tacto é uma coisa que não "não lhe assiste", passando a expressão. Mesmo assim não tenho o direito de julgar uma pessoa unicamente pela imagem que ela passa na televisão ou pelo que as pessoas dizem dela, se não damos uma oportunidade nunca vamos conhecer ninguém intimamente. Todos temos defeitos e todos nós já nos arrependemos de algo que dissemos num momento nada fiel ao nosso carácter.

Por isso não interpretem mal as minhas palavras ou a maneira como ajo naturalmente, não tenho um pingo de falsidade ou presunção, não caminho nas nuvens rodeada de ornamentos de ouro, como muitos me julgam. Não, eu dou graças por tudo o que tenho e sei que nada é garantido, não tenho pouco ou demasiado mas o que tenho trabalhei e trabalho por isso. Foi esse o legado do que o meu avô me deixou - muito amor e compaixão, e as ferramentas necessárias para ser uma mulher independente e orgulhosa de si mesma. As minhas palavras por vezes não são as mais corretas ou sequer as mais educadas mas a malicia e a inveja são por vezes intoleráveis à minha índole, não fui educada a sentir tais afeções. A felicidade é mais fácil de trabalhar que a inveja.

Pensem bem antes de julgar alguém, quem nunca pecou que atire a primeira pedra.