segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

É fácil ser infeliz

Ouço tantas vezes, pessoas a afirmarem que são felizes, de quantas maneiras são felizes, de como os outros podem ser felizes - partilham fotos e histórias e citações que pintam quadros de felicidade invejada pelos amigos. Mas será que são mesmo felizes? As famílias felizes não valem de nada, não têm conteúdo. As famílias complicadas essas sim têm futuro.

Pergunto-me muitas vezes porque é que as pessoas têm a necessidade de exibir felicidade mesmo que essa não exista ou de infelicidade para que de algum modo receba atenção. Eu acuso-me de ambos! Como vêm eu não venho para aqui criticar atitudes de ninguém - critico as minhas quando tem que ser porque sou honesta - e exponho verdades porque basicamente tenho todo o direito.

Não fingo ser feliz, não - por vezes sinto-me como Pessoa:

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
"


Não sei se bebo do poço da infelicidade de propósito ou se o poço sou eu mesma. Ás vezes acho que tudo é um sonho e que eu sou eu outra vez. Com certeza que se for estudada um dia confirmarão que eu também tenho várias facetas - não personalidades, não me atreveria a isso.

É tão fácil pôr um sorriso na cara e dizer que "está tudo bem", ao invés de se aproximar dum amigo e dizer "preciso de ajuda". É apenas um facto. Por isso, escondemo-nos por detrás de máscaras de felicidade e por vezes ocultamos vales de tortura interior. 

Eu já disse muitas vezes que não oculto nada, isso para mim é chato, deixo isso para o meu caro Pessoa. Eu admito que me deixo escorregar nos vales da minha lamentação, e escorrego-me toda qual uma lesma, e tal e qual a preguiça, ali me acomodo e não me incomodo. E assim que têm sido os últimos meses. Porque desisti de lutar contra a maré. Pois é! Eu já vos avisei que não sou nenhum guru, nem nenhuma pessoa que vocês possam admirar ou que inspire coisa alguma. Eu estou longe da perfeição ou da tranquilidade de espírito para sequer tentar ser feliz. Sou uma cobarde assumida. Olhem é assim, ás vezes nem nos apercebemos que já estamos no fundo do poço, só mesmo quando abrimos os olhos (e desejamos nunca os ter aberto!)


Vocês sabem lá as saudades que eu tinha de quem estava ali mesmo ao meu lado, ai mundo paradoxal! Não há maior dor nem viver mais cruel!

Eu sei que merecia, eu sei que estava atrasada, mas ela não vinha. A chapada da realidade: que eu sou um fracasso total. Aí esta meus amigos a pura das verdades, vem um ventito daqui outro de acolá e já não me aguento das canetas. Não tenho amigos que me auxiliem, mesmo que tivesse nunca iriam compreender o poço onde estou metida! No entanto estava lá outra pessoa, a pessoa que me ama e me jura amor todos os dias, a única pessoal real neste mundo - para mim. Daí veio a chapada triunfal da realidade! E eu quase que não vejo nada depois da queda de tamanha violência -ATENÇÃO que a chapada é metafórica! O meu namorado nunca pôs um dedo em mim, bem, não dessa maneira lol... 

Lembro-me de há dois anos me encontrar neste mesmo sitio, sentada á lareira conversando com um amigo sobre a minha tristeza relativamente a época natalícia - porque não faz sentido e porque eu nunca senti nada em relação a essas conveniências da sociedade. O Natal só me fazia recordar que o  dador de espermatozóide que me deu a vida me abandonou e nunca mais quis saber de mim! Não é nada natalício pois não?

E depois lembro-me do ano passado. Tu e eu. Eu na minha lareira e tu na tua, falávamos de nunca nunca mais celebrar o Natal e isso fez-me sentir feliz. E concretizas-te o meu sonho de Natal: vimos o filme do "Sozinho em Casa" - porque não resisto e ficamos juntinhos. E foi o melhor Natal da minha vida, porque sonhamos que um dia vamos ter uma casa cheia de miúdos assim, e o Natal vai significar família, e família vai ser tudo.

Este ano o presente foi a realidade, e doi! Mas era preciso ser-me dada, porque a minha incapacidade de ver-me para além de dentro de mim, tinha-me cegado para o mundo! E meses passaram e eu não notei! Perdi meio ano da minha vida dentro da minha cabeça. Isto é surreal não concordam? Completamente incompreensível e no entanto tão óbvio. Tinha-me reencontrado com o meu velho amigo "tristeza" e deixei-me levar porque não custa nadinha. O que custa meus amigos é ser feliz.

E agora estou aqui perante vós assumindo as minhas falhas e dizendo que nada posso prometer porque não me quero comprometer demasiado. Mas que agora sei que não posso deixar-me ir nas asas da infelicidade, tenho que escavar um túnel até á china e desancar este malvado para as profundezas do inferno. Arre Diabo que a infelicidade rapidamente se transforma num cão que não me larga a perna, credo é que já não se pode amigo! Vou arranca-lo a força e procurar a minha felicidade, seja onde for. Mas eu vou encontrá-la!


I can take him hu? I have pushed bigger hell hounds loool


Tudo graças á única pessoa que me conhece mais que eu mesma por vezes, e mesmo assim me ama incondicionalmente e me puxa para me salvar de mim mesma. Sem ti não teria coragem, contigo posso fazer milagres e estou a contar com isso :) és meu só meu. Desculpem este é muito bom e muito perfeito para mim :D never gonna give him up....
Todo o seu geito timído no seu enorme SER. Como não poderias ser tu a roubar-me o coração? :)